Palestra de Nélio Jardim no “Liceu” sobre “As nossas Montanhas”

No dia 6 e dezembro, inserida nas atividades programadas da Componente de Cidadania e Desenvolvimento da turma 10º11, realizou-se na Escola Secundária Jaime Moniz, a conferência intitulada “As Nossas Montanhas”, em parceria com o Instituto de Florestas e Conservação da Natureza (IFCN). O conferencista foi Nélio Jardim, Geógrafo/Geólogo do Instituto I. F. N. C., que abordou o tema dos processos naturais e antropomórficos que, ainda hoje, moldam a nossa ilha.

Segundo uma nota de imprensa, redigida pelo aluno Sabino Teixeira, com fotos de João de Almeida, “o tema, desenvolvido ao longo de aproximadamente 60 minutos, para discentes e professores do 10º11, foi verdadeiramente motivante e caminhou ao encontro das  expetativas, pois tinha sido selecionado para o nosso projeto de turma a Educação Ambiental, na vertente intitulada “As nossas Serras”,  que, apesar de maravilhosas e imponentes, raramente são discernidas de “mato” pelo espetador/observador comum. Tendo isto em mente, nós, os alunos(as) do 10º11, decidimos combater a ideia de que o único objetivo das Serras é fazer de lugar para um piquenique em família numa manhã de sábado e partimos à descoberta da sua flora e fauna endémicas. A conferência levou-nos a uma viagem no tempo.  Começámos com a origem da Macaronésia. Ao que parece, há 2 M. a., todo o Mediterrâneo possuía um coberto vegetal semelhante à nossa famosa Laurissilva. Todavia, devido às glaciações da última era do gelo, denominada Glaciação Wisconsin, (entre 100 000 e 10 000 anos atrás), os únicos refúgios desta fauna e flora singular foram as ilhas que tinham sido recentemente forjadas do vulcanismo turbulento e explosivo na zona de subducção entre as placas euro-asiática e africana”.

Segundo a mesma nota informativa, o aluno Sabino Teixeira explica que, “com um início bem violento, a nossa ilha da Madeira, oriunda de outro tipo de vulcanismo denominado “Hot Spot”, sofreu uma severa pluviosidade nos seus primeiros anos. Quando tudo já tinha acalmado foi colonizada por várias plantas, aves, morcegos, insetos e pequenos lagartos náufragos, ascendentes da temida por alguns, mas ignorada por muitos, lagartixa da Madeira. Mesmo os animais sendo mais interessantes aos olhos de muitos, nossos inclusive, o Dr. Nélio demonstrou-nos que a grande maioria de espécies na biodiversidade madeirense são plantas, fungos e líquens. O estrato florestal da ilha pode ser dividido em Zambujal (zona costeira de vegetação maioritariamente rasteira), Laurissilva de Barbusano, Laurissilva de Til e Vinhático e Urzal de altitude. Estes dois últimos são essenciais para a captação de água em estado líquido, sem eles, a agricultura seria seriamente limitada, afetando toda a economia e turismo da ilha. Após saber o grau de importância de todas estas áreas, percebemos a verdadeira gravidade de grandes incêndios florestais, que, além de poderem causar aluviões por desprotegerem o solo da sua cobertura vegetal, ardem a base da nossa sustentabilidade insular. Felizmente, medidas são tomadas com o intuito de proteger as nossas Serras, alguns exemplos das mesmas são reflorestações anuais, criação de ninhos artificiais para aves protegidas (Freira-da-Madeira), remoção de plantas invasoras (Giesta) e obtenção de energia por turbinas eólicas e motores hídricos em ribeiras. Após este aprofundamento à relevância das Serras da Madeira, sentimo-nos muito mais confiantes e empenhados no requisito de dar a conhecê-las ao público. Podemos apenas agradecer ao Dr. Nélio Jardim que se disponibilizou a vir à nossa escola para inspirar as gerações futuras a conservar e proteger este maravilhoso bioma anacrónico.”