Gouveia e Melo diz que há que ter a coragem de decidir com base nos indicadores

O vice-almirante Gouveia e Melo declarou hoje, numa palestra na Assembleia Legislativa da Madeira: “Temos de ter a capacidade de decidir com os nossos indicadores”. O ex-coordenador da extinta ‘task-force’, responsável de um plano que culminou com quase 85% da população portuguesa vacinada, disse que “não podemos é ter medo de o fazer, porque ter medo é gerar confusão”.

Henrique Gouveia e Melo foi o convidado da ALRAM para uma conferência sobre “a experiência portuguesa no combate à Covid-19”, no âmbito do ciclo de conferências “Parlamento Com Causas”.

“Nós não nos vacinamos só para nos protegermos, mas para proteger a comunidade”, declarou o almirante. Em relação às dúvidas geradas pela questão da vacinação dos mais jovens, o militar disse que “temos de combater este vírus para ganharmos a nossa liberdade e a capacidade de viver em comunidade”.

Gouveia e Melo considerou que “se houve alguma vitória, a vitória é de todos nós, começando pela população que resistiu à dúvida e que se juntou de forma massiva ao processo de vacinação, protegendo uns aos outros”. Atribuiu o sucesso do processo, em Portugal, “à liderança e à comunicação que complementaram a organização”.

A partir da experiência com a vacinação dos militares, foi criada uma linha de montagem replicada pela DGS, com 309 centros no país, com toda a população a ser vacinada ao mesmo ritmo. “Num dia mais complicado vacinávamos 162 mil pessoas”.

O ex-coordenador da ‘task-force’ elogiou ainda a forma como foi conduzido o processo de vacinação na Madeira.

“Foi muito conseguida com organização própria. Claro que estávamos sempre em comunicação e houve muita troca de informação, e foi sempre um processo em que não houve divisões. Houve sempre união, o que foi muito positivo”.

Por seu turno, o presidente do parlamento regional, José Manuel Rodrigues, disse ser uma “honra” receber o orador e enalteceu o “notável trabalho no processo de vacinação dos portugueses contra o vírus SARS-CoV-2”.

José Manuel Rodrigues lembrou ainda que em Julho deste ano, a Assembleia Legislativa da Madeira “perpetuou, simbolicamente, numa escultura que ladeia o Parlamento, esta dívida de gratidão que temos para com todos aqueles que combateram, e ainda combatem, esta pandemia, nas mais variadas frentes. Mas nunca é demais reconhecer o que foi feito, e está a ser feito, para vencer este flagelo que tomou conta das nossas vidas”.

José Manuel Rodrigues agradeceu também ao “povo, que, muitas vezes, é apelidado de pouco cumpridor, de comportamento indolente, mas que deu uma lição de civismo, de espírito solidário, de sentido de responsabilidade, no cumprimento das regras e dos apelos das autoridades de Saúde, o que nos deve encher de orgulho e é um exemplo para muitos outros povos”, concluiu.