UMAR alerta para a violência grave contra as mulheres

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A UMAR divulgou hoje a nível nacional os dados recolhidos pelo seu Observatório das Mulheres assassinadas entre o dia 1 de Janeiro a 15 de Novembro de 2021. Pelos dados recolhidos até agora, foram assassinadas 23 mulheres, incluindo duas da Região da Madeira.

“13 dos crimes foram em contexto de femicídio, o que quer dizer que foram mortes intencionais de violência de género e as restantes 10 foram assassinadas em diferentes contextos, mas sempre em maioria, no seio das próprias famílias, porque, sete dos assassinatos, foram em contexto familiar”, refere-se. A UMAR admite que poderão existir outros crimes que não estão contabilizados.

A maioria dos casos de violência doméstica já era do conhecimento das autoridades e dos familiares e vizinhos das vítimas. Já era até do conhecimento público que, três dos ofensores, tinham ameaçado de morte as vítimas. 62% já exercia violência prévia com a vítima.

A idade das vítimas de femicídio é diferenciada, sendo a maioria entre os 36 e os 50 anos. Mesmo assim, acima dos 65 anos, foram mortas duas mulheres, entre os 51 e os 64. Outras mulheres assassinadas foram quatro entre os 24 a 35 anos, e uma  entre os 18 e os 23.

Nos últimos 16 anos, na Madeira foram assassinadas 22 mulheres, 15 das quais fazem parte das estatísticas públicas, mais 5 foram mortas em 2017 e nunca foram assumidas como vítimas de femicídio, diz a UMAR.

Todos os anos, existem diversas tentativas de femicídio, muitas vezes não tornadas públicas.

Já em 2019, foram feitas 11 queixas por violação ou tentativa de violação, e 2 queixas por violência
doméstica sob a forma de ameaça de divulgação de imagens íntimas na internet.

“Estamos convictas de que não seremos capazes de conseguir acabar com o femicídio, enquanto mantivermos a reprodução das causas estruturais de desigualdade entre homens e mulheres, as quais legitimam a discriminação de género, geradora de violência”, opina a UMAR.

A UMAR Madeira desenvolve o projecto ART’THEMIS+ – Programa de prevenção primária de violência de género e promoção de Direitos Humanos e igualdade de género – desde 2018 em  escolas da Região. O projecto é financiado pela Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, do Governo da República.

“Falta valorização e investimento por parte do Governo Regional da Madeira neste trabalho. Falta a realização de um diagnóstico regional para conhecer aprofundadamente a realidade da violência
doméstica, especialmente em anos de pandemia onde muita da violência ficou mais fechada “entre quatro paredes” devido à falta de privacidade da vítima para pedir ajuda”, conclui a União de Mulheres Alternativa e Resposta.

A UMAR lamentou ainda que este ano o novo executivo municipal do Funchal não tenha reunido o CMI para decidir o que fazer no dia 25 de Novembro, tendo em conta que é o dia mundial pela eliminação da violência contra as mulheres. “Nos últimos anos o Município do Funchal em parceria com o CMI promovia actividades, entre elas, uma caminhada pública contra este flagelo que era um ponto alto nas iniciativas comuns”, refere-se.