Sociedade civil reage com indignação a limitação das liberdades pelo GR

foto arquivo

Sucedem-se nas redes sociais manifestações de descrença e de indignação com as medidas ontem anunciadas pelo Governo Regional, para o controle da pandemia, e com os seus avanços e recuos. E não surgem só de cidadãos anónimos, pelo contrário. Há muita gente esclarecida da sociedade civil a questionar a legalidade das draconianas medidas. O ecologista Raimundo Quintal, que foi vereador da CMF no tempo em que Albuquerque foi edil, compara a Madeira à Coreia do Norte.

“Pérola do Atlântico ou Coreia do Norte?”, indaga, logo no título da sua publicação. “Depois das medidas restritivas da liberdade individual anunciadas pelo Presidente do Governo Regional da Madeira fiquei com a sensação de que deixarei de viver na Pérola do Atlântico e passarei a sobreviver num arquipélago réplica da Coreia do Norte”, declara o geógrafo.
“Eu utente diário dos transportes públicos, para além da máscara que continuarei voluntariamente a usar, terei de apresentar ao motorista o certificado digital de vacinação e prova de teste rápido de antigénio realizado semanalmente?
Estou indignado.
Não cumprirei regras impostas pelo Governo Regional, que violam as liberdades garantidas na Constituição Portuguesa.
Chamem a polícia!”, conclui.
Entretanto, José Júlio Castro Fernandes, licenciado em Farmácia, ligado a clínicas, laboratórios e consultor na área da Saúde, já tendo inclusive prestado serviços nessa qualidade para o Governo Regional, colocou uma série de interrogações na sua página pessoal sobre a exiquibilidade das medidas anunciadas, baseada em cálculos de simples aritmética.
“1. Não ponho em causa a justeza (ou não) das medidas preconizadas pelo Governo Regional;
2. Nem sequer questiono a putativa legitimidade das mesmas;
3. Não me proponho evidenciar as diversas discrepâncias e contradições que encerram;
4. Não gostaria de estar na posição de ter de tomar medidas do género, como tem de fazer o Governo Regional.
Vou colocar-me na posição de quem tem de executar e fiscalizar as enunciadas medidas. Imaginemos um cenário: dos 260.000 habitantes da RAM (vamos esquecer visitantes e residentes esporádicos) vamos considerar 200.000.
Esses 200.000 deverão fazer 1 teste por semana. Números redondos: 200.000 testes. Num mês: 800.000 testes.
Vamos dar de barato a saturação dos serviços, com a continuidade do processo, e as dificuldades de abastecimento.
200.000 testes/semana, imaginando que os serviços funcionam 7 dias/semana e 8 horas/dia dá, aproximadamente, 3.570 testes/hora, em continuidade, todos os dias, por tempo indeterminado.
Será possivel? A logistica que isso implica, será exequível?”, questiona.
foto Rui Marote (arquivo)
Por seu turno, Nuno Morna, da Iniciativa Liberal, também publicou na sua página do facebook considerações sobre o assunto, esclarecendo que sofreu de Covid-19 durante mais de duas semanas, e que é favorável à vacinação.

Dito isto, considera que “as medidas ontem anunciadas, e que ainda quero ler quando publicadas no JORAM, não têm pés nem cabeça. O teste passa a ser obrigatório. Quem o não fizer fica sem vida, fica coarctado da sua liberdade. Não pode ir ao café, não pode ir comer fora, não pode assistir a um espectáculo ou ir ao cinema, etc.

E a bem dizer, a vacinação, de um modo retorcido, também. Quem a não levar fica coarctado da sua liberdade. Não pode ir ao café, não pode ir comer fora, não pode assistir a um espectáculo ou ir ao cinema, etc. E isto prefigura uma espécie de isolamento a quem não cumprir.
No meu caso, porque vacinado, coisa que fiz em consciência, querem obrigar-me a violar, todas as semanas, o que tenho de mais sagrado: o meu corpo.
A propriedade do meu corpo integra um dos direitos naturais que nascem comigo. São inalienáveis e irrevogáveis num Estado que se quer de direito democrático. De Aristóteles a São Tomás de Aquino, de Hobbes a Locke, de Thomas Jefferson a Rousseau, são inúmeros os pensadores a quem só faria bem que esta gente que nos governa fosse ler. Nem que fossem resumos, que os há e muito bons.
Aquilo que devia ser pedido, foi determinado. E isso é inaceitável.
Sinto-me a viver numa distopia pandémica”, conclui.
A sua posição tem sido secundada por outros indivíduos, entre os quais escritores e académicos, em posições publicamente assumidas nas redes sociais.