Rita Andrade em entrevista ao FN: “Sou uma mulher muito humilde, que gosta de ouvir e servir os outros”

A gestão dos múltiplos desafios é feita por Rita Andrade com espírito de missão e muita tranquilidade. Fotos Catarina Nunes.

“Sou uma mulher muito humilde, que gosta  de ouvir e servir os outros, mas com determinação e paixão nas causas que abraça”. É desta forma que Rita Andrade se define como pessoa, na entrevista concedida ao Funchal Notícias.  Mas não só.  A secretária regional da Inclusão Social e Cidadania, num tom de grande serenidade com que coloca sempre a voz, assume-se também como uma “mulher de família”, “de fé”, e uma “pessoa que vive para os outros”.  Por isso, o lugar que hoje ocupa, cuja bandeira central é a componente social, é o espaço ideal para poder colocar em ação as dimensões humanas que  têm norteado a sua atuação.

À solicitação do FN para a entrevista, Rita Andrade respondeu de forma pronta e com um sorriso nos lábios. Pragmática mas com capacidade para escutar, defende que ninguém deve ficar sem resposta. Seja um jornalista seja qualquer pessoa que demande a Secretaria que chefia.  Está como “peixe na água” à frente da SRISC, na medida em que tem a oportunidade de pôr em prática o apoio aos outros, com “um sentido muito forte de missão”.

Nos últimos tempos, o nome de Rita Andrade esteve na ordem do dia das notícias. Em 2015, esteve à frente do Instituto de Emprego da Madeira. A convite de Rubina Leal, em 2017, aceitou o desafio de chefiar a SRISC, mas há dois anos, por opção do Governo, deixou este cargo para estar à frente do IASAUDE. Dois anos depois, em setembro deste ano, reentrou na SRISC com o mesmo espírito “de serviço e humildade para servir aqueles que mais precisam”. Não alimenta polémicas e prefere sempre o diálogo ao confronto. Aliás, a passagem de dois anos pelo IASAUDE foi uma “aprendizagem marcante”.

Com um certo desprendimento mas com firmeza na voz, Rita Andrade salienta que nunca lhe passou pela cabeça ser secretária regional. Veio do setor privado, sempre ligada às áreas da gestão de recursos humanos e formação, consequentemente com o foco do “olhar sempre nos outros”. A licenciatura em Sociologia, no ISCTE, onde conheceu muitos madeirenses e com quem manteve sempre boas relações foi uma experiência essencial no seu percurso académico. Uma dessas amizades que cultivou foi com Rubina Leal. Assim, entrou para a administração pública presidindo ao Instituto de Emprego da Madeira. Porém, por força da candidatura de Rubina Leal à Câmara do Funchal, em 2015, Rita Andrade é nomeada secretária regional da Inclusão Social e Cidadania. Tudo isto num contexto difícil, “com um dos maiores picos de desemprego e com uma economia a recuperar, fruto dos PAEF, mas ainda assim foi uma experiência muito interessante”. Uma mudança de vulto. Em três dias, mudou a sua vida para assumir a SRISC. Não foi fácil, reconhece-o. “Mas costumo dizer também que não estamos aqui para coisas fáceis. Acredito que, com muito trabalho e dedicação e até abnegação, tudo se supera e a experiência é muito gratificante. Aliás, não devo ser eu a avaliar… Sinto que atingimos os resultados. Acabámos o período 2015-2019, com todos os objetivos do governo atingidos, por cada serviço adstrito à minha tutela”.

“Não estava à espera dessa saída”

Em 2019, cessa funções como secretária regional. “Não estava à espera dessa saída. Mas compreendi-a perfeitamente. De facto, quem toma estas decisões é o presidente do governo e eu soube compreender muito bem e com total lealdade. Tanto é que ingressei nos setor da saúde, a trabalhar com o Dr Pedro Ramos, uma pessoa com quem gostei muito de trabalhar. Aliás, nada acontece por acaso. A minha passagem pelo ISAUDE enriqueceu-me como pessoa e foi uma mais-valia para a área social que agora volto a tutelar. A área social também depende muito da saúde e nesse aspeto sinto-me hoje uma pessoa muito mais rica e completa depois de ter tido este percurso”.

Nova mudança em setembro de 2021. Rita Andrade retoma a chefia da SRISC, para surpresa de muitos. Com que espírito regressa, então, à SRISC, após uma ausência de dois anos? A governante olha para as mudanças e volta a destacar o seu espírito de missão ou de serviço.  “Retomei estas funções com uma maior tranquilidade, porque hoje conheço muito melhor os processos do que da primeira vez, e com muita segurança. São áreas muito críticas, difíceis, todos os dias são muitos desafios para gerir. Fiz uma renovação no meu gabinete, tenho uma equipa com quem conto a cem por cento, onde posso alicerçar as coisas e lutar por bons resultados. Passámos dois anos muito difíceis com a pandemia, apanhámos um comboio a uma velocidade grande que nos obriga a correr muito. Sou uma pessoa otimista, por natureza e acredito nas pessoas e  que vamos conseguir fazer um bom trabalho em conjunto, pois só em equipa é que se consegue fazer este trabalho de forma séria e cumprindo objetivos. Agora estamos focados em cumprir as metas do XIII Programa do Governo e é isso que me move”.