PCP insiste em estratégias para maior uso dos transportes públicos

O PCP relalizou o longo da manhã de hoje uma acção de contacto com a população, destinada a abordar a necessidade de ser criada na Região uma estratégia para promover o maior uso dos transportes públicos.

 No decurso da acção politica o deputado do PCP, Ricardo Lume, lembrou que “recentemente foram publicados dados inquietantes quanto ao uso de transportes públicos na Região Autónoma da Madeira: os transportes públicos urbanos e interurbanos, entre 2002 e 2019, tiveram uma quebra de 37% na procura; naquele mesmo período, os transportes públicos terão perdido 15 milhões de passageiros. Ou seja, ao contrário de todas as recomendações internacionais para a promoção de práticas e de formas de organização social amigas do ambiente, onde o crescente uso dos transportes públicos deveria ser um pilar estratégico, nesta Região o percurso é inverso, numa regressão que comporta uma preocupante ameaça para o desenvolvimento sustentável”, considerou.

“Nesta Região Autónoma já eram muito baixos os níveis das taxas de uso de transporte público de passageiros. E como se isso já não bastasse, o que é ainda mais negativo, os diferentes operadores de transporte público experimentam uma quebra acentuada do número de passageiros”, faz notar o comunista.

Criticando o “crescente processo de massificação na utilização do automóvel”, Lume considera que para isso contribuiu também uma desadequação crescente do sistema de transportes públicos à nova realidade da mobilidade das pessoas.

“Com efeito, grande parte dos trabalhadores e estudantes na Região Autónoma da Madeira continua a privilegiar a utilização do automóvel nas deslocações diárias”, constata.

Para os comunistas, “o Governo Regional não tem sido devidamente interveniente em relação aos muitos problemas de falta ou insuficiência de serviço de transporte público de passageiros prestado nesta Região Autónoma pelos diferentes operadores. Permitiu que se reduzissem os horários de várias carreiras, impossibilitando que muitos dos habitantes pudessem ter garantida a mobilidade necessária à noite e aos fins-de-semana, uma reorganização das carreiras contrária ao desenvolvimento da Região e contestada pelas populações”.

É necessário, advoga, tomar medidas para minimizar o impacto humano na aceleração desse processo e contribuir entre outras medidas para a redução da emissão de carbono.

“Nos próximos tempos, tanto o Governo Regional como as Autarquias vão ter um papel crucial na execução de componentes do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) na descarbonização dos transportes públicos. O PRR está aprovado e dotado financeiramente com muitos milhões de euros para este fim”, refere.

“É neste contexto que se justifica com a maior urgência a definição de uma estratégia regional para que seja promovida uma maior acessibilidade, qualidade, atractividade e uso dos transportes públicos na Região Autónoma da Madeira”.


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