Eduardo Jesus esteve presente em doações de obras de arte à Região

O secretário regional de Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, esteve presente hoje nas doações à Região Autónoma da Madeira de dois conjuntos de obras de arte, um de autoria de António Barros e outro de autoria de António Aragão, para integração no espólio do MUDAS.Museu, onde decorreu a cerimónia.

Em relação a António Barros, trata-se da instalação Obgesto/Artitude, “Retrato de Zygmunt Bauman”, (2016-2017) e materiais vivenciados (chapéu), tubo de polipropileno e junções, de dimensões variadas. Integrou a exposição «Alvoro», depositada à guarda do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira em 2017, informa a Secretaria Regional da Cultura.

Trata-se de uma alegoria à figura e ao percurso do filósofo polaco Zygmunt Bauman, que integrou o projeto da referida exposição, que António Barros realizou a título individual no Museu e na qual ofereceu a obra Valsamar. Agora, com esta nova doação, reforça a sua presença na colecção do Museu.

Já no que se refere à instalação de António Aragão, a mesma é composta por um conjunto de 10 fotografias, 80x70cm, parte integrante da instalação “Poesia Urro”, uma criação de 1980. Foi apresentada na Galeria Nacional de Arte Moderna, em Lisboa, na iniciativa “PoEx80”, que contou com a curadia do poeta Ernesto de Melo e Castro.

O conjunto de fotografias que compõe a instalação de António Aragão “Poesia Urro” ficará exposto na galeria do MUDAS.Museu até ao dia 10 de Outubro.

Como complemento informativo enviamos um texto escrito por António Barros a respeito desta doação da peça do António Aragão:

“AA sem saber como se libertar desta família, a Capela Gomes, e dos seus retratos ancorados em volumosas molduras, decidiu oferecer essa pesada artilharia a um solitário migrante estudante da Universidade de Coimbra, oriundo das ilhas Atlânticas, que assim resultou vítima de ter de transportar consigo a volumosa encomenda durante quase uma vida. Durante 40 anos, foi esta família transportada acompanhando as múlltiplas mutações da vida desse antigo estudante. Penosamente. E desde o facto de terem os 10 quadros ocupado todo o espaço de um exíguo quarto arrendado para estudantes, a um outro constrangimento – o de terem os retratos de ser transportados cada vez que o estudante tinha de se fazer mudar de residência. Chegou mesmo a ser alvo de roubo, o conjunto dos retratos. E só 40 anos depois é que toda a família se reencontrou, dado os surgidos achados arqueológicos terem sido encontrados no sub-palco de um teatro de estudantes. O presente oferecido por AA ao então estudante de Coimbra, e passadas que foram quatro décadas, vai residir agora no MUDAS.Museu. Isto depois da família Capela Gomes se ter retirado durante anos numa aldeia periférica de Coimbra, onde em tempos famílias fugidas de Málaga se refugiaram com feroz isolamento, ocupando-se a tecer tapetes: Almalaguês. Esta foi a sorte das 10 personagens que ficaram mudas, vítimas de um incêndio de que foram alvo em Belém de Lisboa, em 1980. Estranhamente o fogo fez arder as vozes poético urrantes da família, mas não conseguiu o mesmo fogo incendiar os retratos. Desafia o projecto encontrar a morfologia sonora, fonética e performativa de 10 urros (poesia urro) específicos, perdidos e anulados pelo fogo.”