Aparar as árvores do Funchal como um corte de cabelo de meio centímetro

Fotos: Rui Marote

Como os funchalenses sabem, as árvores no Funchal são hoje aparadas com um corte de cabelo “para carecas”: corta-se meio centímetro e já está! Assim, para a semana, o cliente já volta à barbearia. Antigamente, havia podas a eito, daquelas de rebentar com as árvores sem dó nem piedade, e jardineiros que mais pareciam carniceiros; agora, parece tratamento de “coiffeur”.

Ora, no meio é que está a virtude, mas parece cada vez mais difícil atingir esse meio termo: no Monte, cortam-se os plátanos, perante a recente queda de um galho, e é sempre a andar, em nome da segurança. No Funchal, entre jacarandás e tipuanas que exigem tratamento, mas também poda de galhos que representam algum perigo, a Câmara faz passar apenas a tesourinha, tal como hoje testemunhámos. Ainda bem que o faz, mas devia fazer muito mais, e mais bem feito.

O FN já se cansou de alertar: há galhos que têm de ser cortados, não só por representarem potencial perigo para pessoas e veículos em caso de ventania (já houve quem tivesse pára-brisas estilhaçados em pleno andamento por galhos caídos); além do mais, a CMF não corte galhos que se projectam sobre residências, entupindo as caleiras de escoamento de águas pluviais com as suas folhas.

Muitas destas árvores estão doentes, e o seu tratamento, antigamente, passava pela lavagem com fortes jactos de mangueira com água e sabão. Mas isso foi no tempo de outros vereadores responsáveis pelo Ambiente, e nunca mais se praticou. Para nós, isto nada tem a ver com política. Apenas com boas práticas… e bom senso.

Entretanto, a CMF utiliza, caricatamente, um cartaz das podas no Monte como sinal de aviso de trânsito proibido nos veículos que realizam estas pequeninas e quase ridículas podas no Funchal. Tal como se pode constatar na foto do FN. Enfim…