Maldita TAP

São 1.069,29€ para três passageiros, informa o site da TAP.

Maldivas? Maui?

Porto Santo. A partir de Lisboa.

Do dia 19 de dezembro a 30 de dezembro.

Ah, no Natal? É normal.

Não é normal. E não pode ser normal.

Não é normal que uma porto-santense que viva no Continente, que recebe o salário mínimo tenha de despender uma pequena fortuna para vir, com os seus dois filhos, ver a mãe e avó que não vê há anos. E que não possa fazê-lo especialmente no Natal.

Não é normal que os pais de um estudante porto-santense tenham de fazer das tripas coração para que ele possa passar o Natal em família.

E não é absolutamente nada normal que a TAP não faça voos diretos entre Lisboa e Porto Santo neste Inverno. Nem um.

Depois da maluqueira que foi de voos cheios de continentais para a Ilha Dourada este Verão. Depois do dinheiro que a TAP ganhou com isso.

Mas agora no Inverno não dá lucro. Acredito que não. E aceitava isso perfeitamente se estivéssemos a falar de uma empresa privada, com regras de mercado verdadeiramente livre.

Não estamos. Estamos a falar de um buraco negro financiado régia e dramaticamente por todos nós. Incluindo por todos os contribuintes que vivem no Porto Santo.

Buraco sem fim à vista e com direito a ginásticas e cedências absurdas para contornar as regras europeias quanto ao financiamento estatal.

E não, não é normal que, sendo assim, os seus gestores só tenham em consideração os lucros, descurando o mais básico direito de quem já é tão fustigado com a dupla insularidade.

É que nem conseguem assegurar o tão famigerado princípio da continuidade territorial, nem assegurar um lucrozinho que seja. Só prejuízo. E dos mil milhões para cima. Coisa pouca.

Esta não é uma crónica. Nem é sequer um texto.

Este é só um grito de revolta. De raiva e frustração.

Só queria que a minha tia e os meus primos pudessem passar o Natal com a minha avó de noventa e três anos.

Num voo direto, sem escalas.

E sem terem de vender um rim.