EUA ativam Frota Aérea de Reserva Civil para Cabul

O departamento de defesa governo americano mandou ativar a Civil Reserve Air Fleet pela terceira vez na História. A finalidade é dar escala à operação de resgate de pessoas em Cabul. Os dois precedentes são as duas fases bélicas na outrora Babilónia. O DoD mantém sob contrato uma seleção de 450 aeronaves civis de 24 companhias aéreas norte-americanas, que se comprometeram disponibilizá-las para transporte de passageiros e carga, com as suas tripulações aquando de necessidade. São aeronaves normais de transporte aéreo, muitas delas de longo curso, sem qualquer sinal exterior que denuncie a filiação na CRAF.  A única sobrecarga de custo para as companhias é alguma alteração para efeitos de capacidade carga, cujo peso extra é compensado financeiramente. De resto são alguns milhões para garantia de acesso. O Boeing 747 da Pan Am que se despenhou em Lockerbie devido a bomba no porão era um dos integrantes da CRAF da altura. Não tenho acesso ao contrato para verificar se há paralelo com a stuação dos navios civis que a Royal Navy tinha contratados, aquando da guerra das “Malvinas” – nas Falklands. Este foram requisitados para a batalha tornando os tripulantes – independentemente da sua nacionalidade – automática e involuntariamente combatentes pelo Union Jack.

A lógica do uso destas aeronaves da CRAF é recolher passageiros já evacuados de Cabul por aeronaves militares, para aeroportos seguros na zona do médio oriente, ou na Europa.

O pânico em Cabul foi amplamente noticiado visualmente. Logo no primeiro dia circulou o vídeo dos locais a tentarem apanhar boleia do Boeing C-17 da USAF. A loucura de ser “pendura” no poço do trem é gritante. Se bem há poços do trem pressurizados para evitar que os pneus rebentem, não são climatizados. O calor significa menos energia na propulsão e o trem já de si vai quente e não há interesse senão em que arrefeça. Há casos de pessoas que sobreviveram à viagem aninhados nas entranhas do avião, embora em estado criogénico. Mas, mal o trem é estendido para aterragem, e face ao estado letárgico em que encontram, tendem a cair livremente uns bons 1500 pés (500 metros). Na aproximação na pista 03 em Lisboa significa uma aterragem na Caparica ou na ponte 25 de abril. Mesmo que se segurem no trem até tocar no chão, a mais de 200 km/h, os perigos são imensos: discos de travão incandescentes, bocados de borracha, desaceleração abrupta, etc.

Um pormenor que denunciou antecipadamente o cancelamento de voos de resgate antes do prazo de 31 de agosto foi o uso de “flares” na descolagem de vários C-17 e Airbus A400M militares. É aquele fogo de artificio que serve para desviar a atenção dos misseis “heat-seaker” (os mais baratos) ávidos por motores ligados, que localizam com sensores térmicos.

Airbus A400M da Força Aérea Francesa a descolar de Cabul com “flares” (Foto: AirLive)

Outra deprimente insanidade foi o assalto dos populares ao Airbus A340 da Kam Air, na parte civil do aeroporto. Evidentemente que o comandante se recusou a sair com o avião do stand, e não foi por receio de atropelar ninguém. Este avião já não podia operar sem ser inspecionado. No topo da fuselagem estão várias antenas essenciais à navegação, provavelmente forçadas pelos invasores, tal como as portas. Seria também imperativo assegurar a inexistência de lixo ali naquela área para evitar ingestão quando se ligassem os motores.

A340 da Kam Air em Cabul (Getty Images)

Já morreram tripulantes em queda ao sair pela porta, na ausência de escada. A inconsciência dos que estão no topo da fuselagem a tirar fotos com o telemóvel leva a desconfiar que poderão estar só o efeito do grande produto biológico nacional afegão: o ópio. Se este estupefaciente fosse legalizado para além da morfina medicinal haveria etiquetas DOC dos vales afegãos.

Segundo consta os voos seguintes do A340 KAM Air foram fretes do Glenn Beck’s Nazarene Fund para evacuar afegãos convertidos ao cristianismo, salvando-os de uma provável lapidação ou salva de chicotadas.

O caos no exterior do aeroporto foi crescendo e já mesmo antes do atentado perpetrado da delegação afegã da organização islâmica radical que tem brilhado no Iraque e na Síria, vários países tinham anunciado a suspensão das operações.