Última oportunidade para ver exposição de Teresa Jardim

Hoje é a última oportunidade para ver a exposição intitulada “Pulmão de Papel”, da artista plástica madeirense Teresa Jardim. A dita mostra encontra-se em exibição desde o dia 18 de Junho, na Capela da Boa Viagem, no Funchal. Esta Capela, no decorrer destes dias de exposição, já recebeu mais de três centenas de visitantes.

Foi através do ciclo de exposições “Partilhas Francas” que várias  referências e testemunhos da cultura material e artística estiveram, com os seus projectos, em exibição em diversos núcleos museológicos pertencentes ao Município do Funchal, neste caso em particular, na Capela da Boa Viagem que está sob orientação do Museu Henrique e Francisco Franco.

Designada como “Pulmão de Papel”, a exposição desta artista madeirense conta com a presença de diversos objectos e imagens, cujo repositório faz parte do altar da Capela da Nossa Senhora do Monte das Oliveiras. A intitulação dada a este corpo expositivo interliga o pulmão ao ar, ar [oxigénio] necessário para a sobrevivência e subsistência do ser humano, e ao papel associando-o ao conceito de fragilidade, à sua própria fragilidade enquanto humana e à fragilidade da ilha, descrevendo-a como um corpo insular propenso ao desastre. A Ilha da Madeira é representada, segundo Teresa Jardim, como um território de referência, matéria poética e suporte de debate entre o humano e o natural.

Teresa Jardim, em entrevista, revela que esta iniciativa lhe permitiu “articular a minha memória com a memória deste local porque é uma capela que não tem culto, desluzo, mas que tem marcas muito fortes ainda naquilo que é, nomeadamente o altar”. Há “todo um conjunto de aspetos que fazem com que este não seja um espaço convencional de exposição”, mas sim “um espaço exigente, um espaço que apela desde logo ao diálogo, ao diálogo daquilo que queremos dizer ou fazer experienciar com o próprio lugar e isso é sempre desafiante, eu gosto imenso desses desafios dos lugares”.

A artista destaca uma das suas peças que já esteve exposta em diversos lugares, mas nunca perdeu a sua identidade, nem o seu título: “procuro que nos sítios onde a instalo ela ganhe a experiência desse lugar e que comunique/expresse novas coisas, novas realidades, novas formas de a ver e a experienciar”. Teresa Jardim refere-se a uma peça construída através de papel que é, na verdade, “o mote do título da exposição”. “Eu trabalho muito com o papel, o papel é frágil, tem  uma grande fragilidade. Ele aqui está assente ou emparelhado aqui como se fossem pedras, umas resmas sobre as outras, o que faz de uma coisa frágil também algo forte”.

Teresa Jardim nasceu no Funchal em 1960. É licenciada em Artes Plásticas/Pintura e em Design de Projetação Gráfica – ISAPM e ISAD/Universidade da Madeira. Exerce funções como docente desde 1978/1979 e leciona a unidade curricular de Desenho no Curso de Artes Visuais na Escola Secundária Francisco Franco. Tem exercido também educação artística informal. Nos anos 90 do século XX, complementou o projeto da expressão plástica A Casa das Cores.

Desenvolveu curadoria independente e diversas parcerias curatoriais das quais destaca: com Júlio Castro Fernandes, em 1986, a I Mostra da Circul’Arte (adentro da MARCA Madeira), com a participação de 56 artistas, abrindo espaço a criadores emergentes), e a participação de artistas da Madeira (Galeria da Circul’Arte), no Fórum de Arte Contemporânea, em Lisboa; com Graça Berimbau, em 1999,a coletiva de jovens artistas, Sinais de Água, no Museu de Portimão e Fundação da Juventude do Porto; com Gilberta Caires (pela DRAC), a coletiva Ao Largo das Ilhas, na Galeria Arco 8, em Ponta Delgada, Açores.

Desde 1976, participa em coletivas (mais de meia centena), com desenho, pintura, fotografia, instalação, performance e intervenções de arte pública. No recurso a múltiplos média, vem realizando dinâmicas em “campo expandido”, onde a poesia na sua vocação visuo-plástica e amplitude imersiva é parte integrante das concretizações.

Das exposições individuais, destaca: 1984 – porque te amo, Galeria ISAD; 1977 – Jogos de Adivinhação, Galeria da SRTC; 2001 – eu vivo aqui, Galeria da SRTC, funchal; 2011 – Alguns poemas dispersos e uma parede só para mim, Museu de Arte Contemporânea do Funchal; 2019 – este poema, Mudas. Museu de Arte Contemporânea da Madeira; 2021 – Dar a palavra, Galeria Espaçomar, Funchal.

Em poesia publicou os livros Anjos de Areia (1993) e Jogos Radicais (2010). Nos anos 80 do século XX, colaborou com o DN Jovem (Lisboa), e integrou o Anuário de poesia da Assírio & Alvim (1986); participou com poesia nas revistas Espaço Arte (ISAPM), Margem 2 (CMF), Cadernos Santiago, Eufeme, Lógos, Nervo, Telhados de Vidro.