ABAMA critica Governo e a GESBA; Secretaria da Agricultura responde

A ABAMA emitiu uma nota criticando a “pompa, a vaidade e o pedantismo do secretário da Agricultura ao anunciar recentemente que a GESBA atribuía mais 2 cêntimos/kg como compensação aos Bananicultores”, esquecendo-se de que “no fim deste mês a GESBA retira 9 cêntimos por Kg ao preço de compra da Banana”.

“A gestão perdulária, inconsequente e desrespeitadora da entidade GESBA manifesta-se nestes e em tantos outros pormenores”, refere a ABAMA.

“Aplicar os seus benefícios comerciais na estabilização dos preços pagos ao Bananicultor durante todo o ano é “empreitada” assim tão difícil ?”, questiona entidade, acrescentando: “manter o rendimento estável, ou seja, sempre o mesmo preço de compra durante todo o ano, utilizando os fartos lucros obtidos com as operações de revenda da nossa banana, é pedir muito?”

Deseja esta organização e os Bananicultores em geral, consultar as contas (exercício) anuais da empresa de capital público GESBA, refere o comunicado no qual se questiona “o que escondem” e se diz que “manter segredo sobre essas informações é no mínimo suspeitoso e no máximo doloso. A GESBA ainda é uma empresa de capital público, as suas contas, aplicações e actos de gestão devem ser do conhecimento público”.

“A matéria-prima (Banana) é obrigatoriamente vendida à GESBA, caso contrário o produtor perde a compensação comunitária, mas os fundos comunitários são destinados aos produtores, então que aceitem e respeitem o princípio da transparência dos dinheiros públicos. As contas da empresa pública GESBA devem ser do conhecimento público”, insiste-se.

“As contas da Gesba, organização que se apropriou tiranicamente do direito do produtor em comercializar livremente o seu produto, devem ser transparentes e acessíveis”, conclui-se.

“Esta inaudita montagem e manipulação ardilosa de distribuição de fundos europeus pelo governo regional, a seu dia será exposta a portas do Parlamento Europeu em Estrasburgo ou na da Comissão Europeia em Bruxelas”, promete a ABAMA. “Os contribuintes líquidos Holandeses, Alemães, Suecos, Italianos etc., saberão o que, e como os seus impostos são utilizados para humilhar e escravizar os agricultores da Banana da Ilha da Madeira”.

“Que nos fundamentem a legalidade e a insistência política neste modelo de gestão e comercialização da Banana. Justificações e enquadramentos, tipo “histórias da carochinha” por exemplo; as cooperativas em 2007 e os despachos vingativos e desalmados do antigo presidente do governo, não servem mais de base para a manutenção destas regras absurdas e desrespeitadoras da circulação de bens transacionáveis e de mercado aberto”, questiona a organização.

Entretanto, a Secretaria Regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural já respondeu a este comunicado, dizendo que “a cada vez mais isolada ABAMA, através do seu mentor-mor, que contraria com a escrita a forma como os seus poucos associados se expressam, voltou (…) a dar mais um triste sinal de vida, ao tentar minimizar o efectivo aumento de rendimento aos produtores, por intermédio da Empresa de Gestão do Sector da Banana (GESBA), que é tutelada pela Secretaria Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, procurando ludibriar a opinião pública com os preços que são praticados no Verão e no Inverno”.

“Esta falta de noção da realidade, da valorização da banana certificada, diz bem da actuação desta impreparada estrutura que não representa o sector e cujo passado é bem conhecido, como todos sabem, não pelas melhores razões. De forma fantasiosa, a ABAMA procurou, uma vez mais, o palco que há muito perdeu, com insinuações graves e críticas infundadas, sempre com a premissa de tentar ressuscitar um passado do qual a esmagadora maioria dos cerca de 2.900 bananicultores na Região não se revê e nem quer ouvir falar”, afirma a Secretaria.

“Como forma a esclarecer a opinião pública, importa salientar que no verão a banana concorre com outros frutos de estação, mais frescos e menos calóricos, logo, mais apetecíveis, e que por esse exclusivo motivo o seu consumo diminui, sendo natural o ajustamento do preço de mercado, para garantir o contínuo rendimento e escoamento do produto”.

“A ABAMA, conhecida por ser uma “associação do petisco”, durante os quais meia dúzia de produtores e o seu mentor-mor procuram engendrar formas de desestabilizar um sector que está seguro e forte, vai continuar a actuar da mesma forma, frustrada e vencida com o sucesso que a GESBA tem vindo a conquistar, fruto da dedicação e esforço dos cerca de 260 funcionários que diariamente lutam por um sector de atividade que, ao contrário de outros, viu o valor do seu negócio crescer no ano 2020, em plena pandemia, que nunca parou apesar de vivermos tempos difíceis e que tem conseguido escoar toda a produção dentro dos preços previstos, com pagamentos dentro dos prazos estabelecidos, a todos os bananicultores, bem como aos demais fornecedores”, assegura a SRADR.

“Para que não fiquem dúvidas das reais intenções da ABAMA, em 2009, primeiro ano integral de exploração da GESBA, o total de banana produzida era de cerca de 14.000 toneladas, hoje vamos nas cerca 21.000 toneladas. E desde sempre que a empresa pública cumpre com a lei, em todos em parâmetros e de forma insuspeita, algo que é facilmente comprovado com as contas anuais que são apresentadas e auditadas pelas entidades fiscalizadoras”, conclui a entidade governamental.