PCP defende forte aposta no Serviço Regional de Saúde

O PCP esteve hoje junto ao Hospital Dr. Nélio Mendonça, procurando valorizar o papel decisivo dos profissionais de saúde na Região, salientando o papel determinante do Serviço Regional de Saúde no garantir o direito constitucional à saúde, mas ao mesmo tempo também denunciando os problemas que afectam profissionais e utentes do SESARAM.

Na oportunidade, o deputado Ricardo Lume sublinhou que “dois caminhos estão em decisão nos próximos tempos: a defesa e reforço do SRS para garantir em pleno o direito à saúde, ou o definhamento do SRS e das suas estruturas, canalizando os fundos públicos do seu financiamento para engrossar os lucros e o poder dos grupos do sector privado da saúde, promovendo o negócio da doença, destruindo de facto o SRS, como serviço regional de saúde, e pondo em causa o direito à saúde. A opção tem de ser feita e sem ambiguidades pelo reforço do SRS”, disse.

Para Lume, os problemas de saúde dos madeirenses e porto-santenses que existiam antes da pandemia COVID-19 continuam a existir, e em muitos casos estão mais agravados. Subsistem, afirmou, situações gritantes de injustiça, correspondentes na prática à negação do direito de acesso a cuidados de saúde.

“Muitos utentes do Serviço Regional de Saúde que tinham actos médicos marcados estão a ver consecutivamente esses actos adiados, a pretexto do agravamento do surto epidemiológico COVID-19”, alertou.

Por outro lado, declarou, não é aceitável que existam utentes do SESARAM que, desde o início da pandemia, “continuam a esperar e a desesperar pela marcação de uma consulta com o seu médico de família ou por uma consulta de especialidade”.

“Não é admissível que um utente que esperou mais de um ano para ver marcada a sua consulta para o início de janeiro de 2021, veja a mesma cancelada; não é tolerável que utentes que tinham já marcadas consulta presencial de cardiologia, oncologia e diabetes, patologias que requerem especial atenção, tenham visto as suas consultas passarem a teleconsulta que em muitos casos não chegam a 2 minutos”, denunciam os comunistas.

“Não é concebível que milhares de madeirenses e porto-santenses, que deveriam de ter acesso ao Serviço Regional de Saúde, sejam empurrados para o sector privado da saúde para garantir lucros a quem faz da doença um negócio”, frisa o parlamentar.

As listas de espera para uma cirurgia, afirma, estão piores que em 2016. Apesar dos programas de recuperação de cirurgias, a Dezembro de 2016 existiam 18.370 cirurgias em espera, a Dezembro de 2020 já ultrapassavam as 19.700 cirurgias em lista de espera.

No que diz respeito às consultas, os dados também não são animadores pois em Dezembro de 2019 existiam 35.089 primeiras consultas por agendar, e em Dezembro de 2020 ultrapassavam as 44.600 consultas por agendar, apesar de muitas das consultas realizadas em 2020 serem teleconsultas.

O PCP considera que é possível fazer mais e melhor no Serviço Regional de Saúde. “Temos profissionais com provas dadas apesar da escassez de recursos humanos (…)”.

 O PCP defende a contratação dos profissionais necessários para regularizar o funcionamento das unidades do SRS, bem como a sua valorização profissional, salarial e das carreiras; a aquisição de novos equipamentos; o fim da promiscuidade entre o público e o privado, e um programa que promova o regresso de muitos profissionais à exclusividade no serviço público, e bem assim uma aposta forte nos cuidados de saúde primários.