PCP alerta para necessidade de acautelar saúde mental em contexto Covid-19

O PCP agendou para ser discutido e votado no plenário desta semana da parlamento regional um Projecto de Resolução que recomenda ao Governo Regional que garanta a promoção da saúde mental em contexto Covid-19.

 Na apresentação desta iniciativa parlamentar o deputado do PCP, Ricardo Lume, referiu que no actual contexto pandémico ampliaram-se as perturbações relacionadas com a saúde mental, principalmente nas pessoas que já tinham problemas deste tipo e que vão ter um impacto acrescido por força das circunstâncias.

“O medo de ser infectado, de contagiar quem nos está mais próximo, de um eventual internamento e do sofrimento que lhe está associado e o inevitável medo da morte tornam expectável e até natural o agravamento e aumento dos problemas de saúde psicológica”, refere  deputado.

Por isso, os comunistas consideram indispensável que estejamos devidamente preparados para dar resposta a um problema cuja verdadeira dimensão está ainda por conhecer.

“Não é possível, tendo em conta a nova realidade que vivemos devido aos constrangimentos do surto epidemiológico COVID-19, que se mantenha a mesma estratégia para a saúde mental na Região como se com a pandemia não existisse um aumento de perturbações relacionadas com a saúde mental”, postula o PCP.

Nesse sentido, os comunistas agendaram para discussão e votação no plenário desta semana na ALRAM um Projecto de Resolução que delibera recomendar ao Governo Regional que:

  1. Promova um maior envolvimento dos cuidados de saúde primários na prevenção e tratamento das perturbações depressivas e do humor, através de uma consulta, em cada um dos centros de saúde, especificamente dedicada ao diagnóstico precoce;
  2. Dote adequadamente os cuidados de saúde primários em número de profissionais especialistas em saúde mental, nomeadamente de psicólogos e enfermeiros especialistas em saúde mental e psiquiatria;
  3. Envolva e defina o papel das unidades de cuidados na comunidade na promoção da saúde mental e prevenção da doença mental, através de uma melhor articulação com as restantes unidades funcionais e demais serviços locais de saúde mental;
  4. Promova nos cuidados de saúde primários uma consulta, em cada um dos centros de saúde, especificamente dedicada uma intervenção precoce na saúde mental da primeira infância e adolescência;
  5. Promova mecanismos de articulação entre as Equipas de Saúde Mental da Infância e Adolescência e os cuidados de saúde primários, em contexto escolar no âmbito da saúde escolar;
  6. Desenvolva um plano específico de prevenção do suicídio reactivo a crises económicas e sociais, criando apoios sociais que revertam a situação;
  7. Promova iniciativas para eliminação do estigma e discriminação das pessoas com doença mental, por forma a integrá-las na comunidade”