Madeira, a Primeira Vila Nómada Digital da Europa

O ano de 2020 ficará definitivamente marcado na memória de todos os portugueses. Um ano de mudança, de superação e de muito espírito de sacrifício. Um ano atípico, onde o expectável deu origem a uma grande revolução e exigiu uma grande capacidade de adaptação e resiliência de todos os agentes económicos e, por conseguinte, de todos nós. O Mundo mudou e mudou mais do que seria esperado. Portugal não foi excepcção e a nossa pérola do atlântico infelizmente não escapou ilesa desta situação.

A pandemia do covid-19 teve consequências nefastas um pouco por todo o mundo. Afectou áreas fulcrais da nossa sociedade, desde a saúde, a economia, a educação, o turismo, a ciência, as empresas, as famílias e muitas outras áreas. O ano que passou ficou marcado por uma forte contracção a nível económico sobretudo devido às fortes restrições impostas pelos governos da República e Regional, tudo em prol do controlo de um vírus silencioso, mas altamente contagioso.

Numa fase inicial foi necessário adoptar medidas extremamente duras e de restrição para acautelar o bem-estar da população. Porém, neste tipo de medidas não há bela sem senão. Para atenuar os riscos de propagação do vírus foi necessário restringir ao essencial o funcionamento económico da região. Durante esse período foi possível estruturar um plano de acção de forma a dotar o sistema regional de saúde de todos os mecanismos e procedimentos para garantir uma resposta eficaz e articulada à pandemia da covid-19. Por outro lado, como já dizia um Professor meu de Economia do Secundário, não existem almoços grátis e para esta situação se processar existiria naturalmente a necessidade de sacrificar o outro lado da moeda: A Economia e, por inerência, todo o sector turístico da nossa região!

A Madeira é conhecida internacionalmente por ser um destino turístico que anualmente recebe milhares e milhares de visitas de cidadãos nacionais e estrangeiros. A sua grande atractividade reside no facto de ser uma ilha no meio do oceano atlântico, que dispõe de um clima ameno todo o ano e da sua oferta turística ser uma espécie de mix entre destinos de mar e de natureza. Esta situação pandémica ao longo do último ano teve graves repercussões a nível das nossas chegadas ao Aeroporto da Madeira, o que se traduz naturalmente numa queda abrupta das contribuições turísticas para o nosso PIB Regional. Dada esta situação, foi necessário repensar-se de que forma podíamos voltar a atrair cidadãos nacionais e estrangeiros, mas de forma segura e explorar outras vertentes que não só a turística. E que outra vertente poderia ser?

Mas vamos por partes, uma das grandes aprendizagens para todos nós durante este quase ano pandémico foi que as novas tecnologias passaram a fazer parte mais presente do nosso dia-a-dia. O Teletrabalho passou a ser uma realidade para muitas famílias e as aulas à distância também. As novas tecnologias deram lugar a vários mini-escritórios espalhados geograficamente pelo país. Quem diz Portugal, diz também o Mundo, e foi com base neste conceito que surgiu na Madeira um conceito pioneiro na Europa: As Vilas para Nómadas Digitais.

O conceito reside em providenciar condições de habitabilidade a todos aqueles que queiram escolher a Madeira como sua residência temporária e fazer da mesma o seu escritório de trabalho móvel, tendo ao seu dispor acesso a computador, internet sem fios ilimitada, mesa, cadeira e ainda habitação. Este conceito faz com que, quem esteja em teletrabalho, ou simplesmente a sua vida dependa de um computador com acesso à internet, possa ter a possibilidade de passar largas temporadas na nossa pérola do atlântico, disfrutando assim dos seus vários encantos. Este projecto pioneiro na Europa tem a sua primeira Vila Nómada instalada no Centro de Cultura John dos Passos, na baía do Concelho da Ponta do Sol, disfrutando de uma vista magnífica sobre o mar. Esta iniciativa tem o selo da Startup Madeira, organismo que depende da Secretaria Regional da Economia em parceria com o Centro de Cultura John dos Passos e que tem como parceiro tecnológico a NOS Madeira.

Este tipo de projecto, a meu ver, só vem enriquecer a oferta turística da Madeira, criando espaço para um novo nicho de mercado que é um mix entre lazer e trabalho. Estou convicto que este projecto será um grande sucesso e possibilitará no futuro a que surjam mais Vilas Nómadas um pouco por toda a região. A nossa Ilha tem todas as condições para, a par e passo, poder criar mais condições para ir recebendo a maior quantidade de Nómadas Digitais possível. Esta situação só vem contribuir positivamente para a actividade económica e turística da região e ainda poderá atrair Investimento Directo Estrangeiro e desenvolver ainda mais as nossas ligações empresariais com o resto do Mundo. Ganham os Nómadas Digitais, ganha a Madeira, ganhámos todos nós!

 

* O autor escreve segundo a antiga ortografia da língua oficial portuguesa*