Estepilha: alunos vão às escolas infectar-se 1 semana, e depois passam 2 em casa?!

Foto Rui Marote

O Estepilha tem ficado boquiaberto com a sapiência e a clarividência emanadas das autoridades públicas regionais sobre o coronavírus. A última pertenceu ao médico Maurício Melim, pessoa amável pela qual temos até pessoal apreço, mas que, decididamente hoje não estava nos seus dias.

Disse este especialista em Saúde Pública que gostaria de ver os alunos nas escolas uma semana, para “socializarem”, e depois passarem duas semanas em casa, em estudo online. ?!??!! Como não temos confinamento, os alunos já podem visitar-se e ir ao café, passear por aí e ir a bares, mas agora passavam também a juntar-se todos nas escolas com o previsível efeito de se infectarem uns aos outros durante uma semana. Depois podiam levar o coronavírus para casa, e infectavam os pais e os avós. Um risco assumido apenas para os alunos “socializarem” e desanuviarem a cabeça.

Ao mesmo tempo, Melim constata que a população madeirense reside em “habitações sobrelotadas” e culpa-a por conviver sem distanciamento “em becos e veredas”. Em que é que isto difere das confraternizações nas casas dos ricos ou do famoso fim-de-ano no Savoy, ficamos sem saber.

As declarações infelizes foram proferidas numa conferência da Direcção Regional de Saúde onde se anunciou que, na Madeira, foram já administradas mais de 14 mil vacinas, pelo que devemos estar todos muito contentes, tal como o está Miguel Albuquerque, presidente da Comissão Política do PSD, que congratulou hoje Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional, pelo excelente trabalho realizado na RAM, na contenção da pandemia.

Entretanto, o Estepilha assinala que as mortes se sucedem diariamente, e que os números de infectados se repetem substituindo-se uns aos outros. Hoje são mais 111 novos casos, 222 novos suspeitos, para 89 recuperados. Todos os dias ficamos mais ou menos “elas por elas”. Temos os hotéis quase totalmente fechados, mas diz-se que temos a “economia a funcionar”. E até há quem comente que “isto está a melhorar”.

O Estepilha bem ouve os lamentos de comerciantes e pequenos empresários e continua a questionar-se quando, depois de semanas e semanas de recolher obrigatório, teremos de caminhar finalmente para o confinamento necessário para baixar a transmissibilidade, de que temos a taxa mais alta do país. Mas na Madeira todos parecem persuadidos de que tal não será necessário. A próxima medida do GR, adivinhamos, deverá ser: “Passa tudo a fechar às 4 da tarde!” E será mansamente acolhida.

Estepilha! “Está tudo controlado!”