JPP contra estrada das Ginjas, cujo asfaltamento é “pretensão obscena”

A polémica estrada das Ginjas está na ordem do dia. O JPP entregou hoje a sua colaboração na consulta pública para o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) “Caminho das Ginjas – Paul da Serra”. Segundo o deputado Rafael Nunes, foram sete dezenas de páginas, num total de 127 pontos que apontaram o que o JPP entende ser uma “falta de rigor técnico e científico” em diversos parâmetros, dos quais se destacam a “incapacidade e deficiência na identificação das espécies, bem como, da falta de estudo e demonstração do impacto na fauna e na flora regional”.

“É inadmissível que se ignore, em muitos casos, elementos fundamentais da nossa biodiversidade, como foi o caso de diversos vertebrados, mas também de moluscos e insectos, quando sabemos, e é público que na Laurissilva existem mais de 500 espécies endémicas de invertebrados, distribuídas pelos moluscos, aracnídeos e insectos”, refere o parlamentar. “Estes últimos, tanto pela sua abundância como diversidade, são o grupo mais representativo (cerca de 20% das quase 3000 espécies de insetos são endémicas”, referiu Rafael Nunes, vice-presidente do Grupo Parlamentar e biólogo de profissão.

Rafael Nunes refere, ainda, existirem contradições do próprio estudo quando o mesmo refere existir um impacto pouco significativo da famosa obra das “Ginjas”, para depois concluir que esta estrada será uma via de entrada para plantas invasoras, o que implicará um grande impacto na Laurissilva, Património Mundial Natural da Humanidade. De igual forma, entendeu o deputado que um estudo de 3 dias para uma avaliação ambiental desta magnitude, é “manifestamente insuficiente para concluir o real impacto que a asfaltagem da estrada das Ginjas terá, na fauna e na flora local”.

O partido “Juntos pelo Povo” reforça o alerta para a “pretensão obscena” do Governo Regional em asfaltar a “Estrada das Ginjas”, numa obra orçada em mais de 10 milhões de euros, destruindo 2 sítios da rede natura 2000 – Laurissilva e Maciço Montanhoso Central – aumentando o risco de incêndios e dispersando invasoras (tal como apontado, inclusive no relatório da UNESCO sobre estado de conservação da floresta Laurissilva).