CMF embargou obras polémicas no hotel Quinta do Sol

O edil funchalense Miguel Gouveia anunciou hoje, após a reunião de Câmara semanal que, “na sequência de uma acção de fiscalização que a CMF fez ao Hotel Quinta do Sol, foi embargada a respectiva obra, uma vez que se constatou que existiam intervenções que não eram de escassa relevância, como tinha sido comunicado ao Município. As obras que estavam a decorrer necessitavam de projecto e de licenciamento, e como isso não foi solicitado, tiveram de ser embargadas.”

A decisão camarária surgiu na sequência de ampla polémica na comunidade cultural madeirense, sobre a descaracterização de um edifício com a assinatura do arquitecto Chorão Ramalho. A Ordem dos Arquitectos veio depois tomar posição pública sobre o assunto, condenando as alterações realizadas e emitindo duas cartas públicas, uma à CMF e outra ao empresário dono do hotel, Estêvão Neves.

Miguel Gouveia sublinhou que “tal como é sabido, a Ordem dos Arquitectos manifestou a sua total disponibilidade para colaborar com a CMF naquelas que são as intenções de preservação do património histórico e arquitectónico edificado no Funchal, sendo que esta acção de fiscalização veio na sequência de uma reclamação feita pela OA. A CMF enaltece, deste modo, que todos os parceiros são bem-vindos no sentido de ajudar a edilidade a proteger este património.”

Nesse sentido, o presidente também anunciou que vai aprofundar a colaboração com OA e que “a autarquia vai solicitar um parecer da Ordem para outra obra num edifício icónico da nossa cidade, como é o caso do Casino Park Hotel, a qual também está neste momento embargada, devido à construção de uma piscina na cobertura do Casino que não estava licenciada. Aceitando essa colaboração, vamos solicitar à Ordem dos Arquitectos uma apreciação das alterações que, entretanto, foram submetidas à CMF, para licenciamento da piscina, procurando perceber se aquela intervenção põe ou não em causa o interesse arquitectónico e o valor patrimonial histórico do prédio.”

“É com este tipo de parcerias que as cidades e as comunidades ficam a ganhar e estamos disponíveis para trabalhar em conjunto com todas as entidades que queiram contribuir para a preservação do nosso património e da identidade do Funchal”, concluiu Miguel Silva Gouveia.