José Manuel Rodrigues quer mais apoio do Estado ao Serviço Regional de Saúde

O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, José Manuel Rodrigues, referiu numa intervenção proferidas na “Jornadas Madeira 2020” promovidas pelo JM na Ponta do Sol, sobre o tema da Saúde, que “é razoável perspectivar um forte investimento na quantidade e qualidade dos serviços de saúde prestados ao nosso povo, a começar já no Orçamento do próximo ano que hoje receberei do Governo Regional e que em breve será discutido na Assembleia Legislativa.
Melhorar o Sistema Regional de Saúde é uma exigência destes novos tempos a que ninguém pode renunciar”.

Elogiando a Madeira por ter estado, no seu entender, na dianteira das medidas de restrição de actividades susceptíveis de propagarem o coronavírus, para o qual  “quase todos os meios, e bem, estão direccionados”, o presidente do parlamento regional enalteceu os cuidadoa aplicados no arquipélago, principalmente “numa Europa que falhou completamente no combate à pandemia, não esboçando uma política única para lidar com o coronavírus, nem se quer se entendendo sobre a decisão de teste obrigatório para os viajantes na origem; num país que oscilou muito nas medidas tomadas, algumas relativamente contraditórias e outras muito tardias (…)

“Foi uma estratégia de antecipação bem conseguida das autoridades de Saúde e dos diversos poderes públicos, da população que cumpriu civicamente as orientações e recomendações e de um trabalho extraordinário de todos os profissionais de saúde e agentes de socorro e protecção civil”, sublinhou.

No entanto, admitiu que há que reconhecer que alguns serviços e tratamentos ficaram condicionados ou mesmo paralisados, 2em nome do bem maior que era o combate a este perigoso vírus”, assim como há que reconhecer “que o Serviço Regional de Saúde, tal como o Serviço Nacional e muitos outros, como os melhores da Europa, teve que adiar consultas ou apenas realizar teleconsultas por precaução, para poder canalizar meios para evitar a transmissão da Covid-19”.
“Há doenças para além da Covid-19 e tem de haver vida para além da pandemia. Mas esta crise sanitária demonstrou as vulnerabilidades dos nossos sistemas de saúde”, acrescentou, defendendo que há que investir mais na Saúde, e que este sector “deve ser prioritário nas políticas da União Europeia para não ficarmos dependentes de outras potências, como aconteceu nesta pandemia”.

“Esta crise sanitária veio demonstrar a necessidade de termos uma Política Comum de Saúde
para o espaço europeu”, disse, acrescentando que “precisamos de ter uma cultura de saúde pública, em que cada cidadão deve ser um agente activo, pois da actuação de cada um depende a sobrevivência de todos e os cientistas temem que novos vírus, tão ou mais perigosos que este, podem aparecer nos próximos anos”.

Para este responsável, “este é o momento para negociar com o Estado a comparticipação nas despesas com a Saúde na Região Autónoma”, pois “o Orçamento regional não tem meios financeiros para suportar o previsível aumento
dos encargos com a Saúde e que é da mais elementar justiça que a República assuma uma parte dos custos com a saúde dos portugueses das ilhas na mesma proporção que o faz para os portugueses do continente. A comparticipação em cinquenta por cento da construção do novo Hospital da Madeira é um bom princípio”, considerou.
Reformar o Serviço Regional de Saúde e os Serviços de Segurança Social é, na sua perspectiva, outra necessidade, para responderem aos desafios levantados pelo envelhecimento acentuado da população e pela subida da esperança média de vida. “É inaceitável que alguma vez se deixem os nossos mais velhos para trás ou sequer se pense em
priorizar vacinas ou tratamentos em função da idade dos pacientes”, declarou, defendendo ainda “mais médicos, enfermeiros e consultas de especialidade nos Centros de Saúde”.

O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira considerou ainda preocupante “o aumento das diversas dependências, designadamente da toxicodependência, em particular das novas substâncias psicoactivas, como o ‘bloom’ e afins, que tem vindo a assumir especial gravidade nos últimos meses e que tem provocado inúmeros
problemas a muitas famílias”.
A Região “tem que voltar a encarar frontalmente este problema e deve exigir dos órgãos da República uma revisão das leis de combate ao tráfico de droga, no sentido de tornar ilegais e penalizar criminalmente a venda destes novos estupefacientes.