Estepilha: nem um ratinho foi saudar a chegada do rato Mickey ao Porto do Funchal…

Rui Marote
O amanhecer estava bem escuro. O navio de cruzeiro “Disney Wonder” chegou bem cedo, e na baía do Funchal aguardava-o a lancha dos pilotos, que comandou à distância a entrada no porto e a acostagem na cabeça da muralha do cais sul. Numa cidade deserta o dia começava a nascer sem curiosidade nem saudade para dar as boas vindas
ao navio, um jejum no tráfego de paquetes quebrado apenas por algumas horas, antes de regressar ao “confinamento”.
A lancha dos pilotos, pelo que vimos, manteve uma distância desta “cidade flutuante” de cerca de 100 metros  que nos fez lembrar a lepra do passado. Hoje é o coronavírus que inspira tais cuidados.
O navio ficou estacionado à cabeça da muralha, facilitando a saída. As ratazanas e os ratinhos que proliferam naquele porto foram assim impedidos de saudar o seu ídolo, o Rato Mickey.
Ficou aquela imagem quase desértica do porto do Funchal com a “ameaça” de, no final de ano, não termos um único navio de cruzeiro. Resta-nos o Lobo Marinho, a fazer as honras da casa.
Enquanto assistia do cais às manobras de acostagem, recordei a lancha “Mosquito” que transportava os funcionários da agência muitas vezes chamada “lancha do Doutor”. Transportava então o Delegado de Saúde e aqui presto homenagem aos doutores José Manuel Rodrigues, Mário Matos, e em certas ocasiões o Dr. Aníbal Faria. Há muitas histórias deste último médicom do foro psiquiátrico que se transfigurava e trazia para terra os doentes sem problemas. Homens que ainda hoje aguardam uma singela homenagem e que fazem parte da história dos navios que nos visitavam. Entretanto, fica a meditação… Até quando o porto sobrevirá a esta crise sem fim à vista? Estepilha… hoje a Dona Branca é a segurança social… Vem aí o 13º mês… Acautelem-se.
Que venham mais barcos para reabastecer!