Saúde Mental: Um (novo) olhar

Na passada sexta-feira, 10 de outubro de 2020, celebrou-se o Dia Internacional da Saúde Mental. Este tema ganhou particular relevância nos anos 90 pela mão do secretário-geral adjunto da World Federation for Mental Health, Richard Hunter, e desde essa época tem vindo a ser celebrado por mais de 150 países até aos nossos dias. Este tema apesar de fazer parte do quotidiano português há já algum tempo, nesta era Covid ganhou particular relevância devido ao confinamento forçado a que todos nós fomos sujeitos.

Do ponto de vista mais técnico, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde mental não pode ser definida de forma linear pois, na sua génese, há que ter em conta as diferenças culturais, um conjunto de teorias díspares existentes na comunidade científica e ainda o próprio julgamento social que é efectuado. Todavia, de forma corriqueira, podemos definir a saúde mental como a capacidade que um indivíduo possui de encontrar um equilíbrio emocional tendo em conta as adversidades que ocorrem no seu dia-a-dia.

Deixando de lado, os termos científicos e voltando eu à minha condição de simples leigo do tema, vou expor em palavras o meu olhar, sem floreados, sem frases enigmáticas, contar o que senti, o que sinto, o que vi, o que ainda vejo.

Correndo o risco de me tornar repetitivo, sinto que é necessário efectuar uma análise sobre de que forma a pandemia alterou as vidas de todos nós, dando especial enfoque no impacto brutal que teve na estabilidade emocional de cada um de nós. O tema da saúde mental nunca é fácil de falar, pois todos nós acabámos por criar múltiplas camadas, na tentativa de, ao olhar do outro, sermos invencíveis.

A vida nem sempre é um conto de fadas e, muitas vezes, temos de encarrar a realidade e enfrentar os nossos maiores medos, não esconder as nossas fraquezas, mas sim aprender com elas para nos levantarmos cada vez mais fortes.

O Covid veio provar-nos que o ser humano tem uma enorme capacidade de resistência à adversidade. De um momento para outro tivemos de ficar em confinamento. O João deixou de poder beber o café na padaria da Dª. Isabel; A Matilde deixou de poder ir à escola e conviver com os seus amigos; Avós viram-se impedidos de estar com os seus netos; A proximidade física deu lugar a uma proximidade virtual. Mas como foi suportar toda esta mudança?

Falo na primeira pessoa, estando eu habituado a um ritmo de vida frenético, confesso-vos que nos primeiros dias não tomei a devida consciência de como a minha vida iria mudar. Vivendo eu neste paraíso chamado Madeira, por vezes existe uma sensação de imunidade. Mas, infelizmente, neste caso a realidade era bem mais grave do que se tinha previsto no início do ano. Tive noites em que não conseguia dormir, onde os pensamentos tomavam conta de mim, onde a batalha com a ansiedade era dura, onde o desanimo e a frustração reinaram.

O apelo que faço é que não subvalorizem a saúde mental, que falem abertamente com os que vos são mais próximos, que não tenham medo de expor o que realmente sentem. Que procurem ajuda quando sentirem que estão em baixo, que não deixem arrastar a agonia. E, sobretudo, nunca desistam de vocês próprios.

A vida é como uma montanha russa, feita de altos e baixos, mas vale sempre a pena, porque viver é dar-nos a oportunidade de podermos fazer diferente e melhor. E como já dizia o nosso querido Raúl Solnado: “Façam o favor de serem felizes”.