Um guardanapo de 20 mil dólares

Pablo Picasso estava sentado num café, desenhando livremente. Ao seu lado um mulher admirava o seu momento criativo. Picasso terminou o café, amarrotou o guardanapo e quando o ia deitar fora a mulher abordou-o:

  • Espere! – disse ela – Posso ficar com o guardanapo onde estava a desenhar? Eu pago.
  • Claro – respondeu o artista. – São 20 mil dólares.

A mulher estupefacta responde – O quê? Levou apenas dois minutos a desenhá-lo.

  • Não. minha senhora. Levei mais de sessenta anos.

Pablo Picasso viveu até aos 93 anos e ao contrário de muitos artistas, quando morreu havia amealhado uma fortuna com a venda de muitas das suas obras. Foi também extremamente prolífero na sua produção.

Porque temos nós tanto medo do fracasso, da rejeição e também da autovalorização?

Picasso ao pedir os 20 mil dólares pelo guardanapo estava a valorizar todo o processo que o levou àquele momento; todos os momentos de aprendizagem que foram permitidos pela existência dos fracassos; todos os micro fracassos necessários para atingir qualquer resultado; todas as rejeições que enfrentou e que lhe permitiram avançar e valorizar o seu processo; todos os momentos que duvidou de si e que acabou por avançar. Estava também a valorizar a honestidade. Ser honesto implica saber ouvir um “não”, e saber dizer outro “não” fundamentado com aquilo em que realmente acreditamos. A honestidade é uma prática individual e necessária para a boa existência em grupo. Passamos grande parte da nossa vida a evitar ouvir ou a evitar dizer “NÃO”. A rejeição faz parte da nossa vida e ajuda-nos a aprender, a evoluir e a avançar. Ninguém quer ter um trabalho que não gosta, com valores em que não acredita, ou com metas e objetivos que não consegue partilhar. Ninguém quer sentir que não pode dizer o que realmente quer. No entanto, muitas vezes, escolhemos ficar presos a essas situações. Picasso claramente escolheu usar um “não” no momento devido.

A prática do fracasso é normal na nossa vida e uma parte fulcral do nosso crescimento natural. Na infância, quando aprendemos a andar vivemos com sucessivos fracassos, mas simplesmente avançamos com o que aprendemos e tentamos vezes sem conta até atingirmos o resultado pretendido. Mesmo que nos digam que estamos a fazer da forma errada ou a correr o perigo de batermos em objetos quando caímos, avançamos na mesma.

Então para nos podermos focar na excelência profissional e pessoal não podemos deixar que o medo ganhe espaço, que os fatores externos, na forma de opiniões, ou de pressão de pares, do contexto, ou da cultura, ganhem mais valor que aquilo que achamos ser o mais indicado para nós. Assim, devemos medir o nosso sucesso não pela habilidade de evitar erros mas pela capacidade de fazer cada vez melhor, aquilo que já fazemos, cometendo erros e corrigindo-os ao longo do processo.

Tal como disse Charles Bukowski “O problema do Mundo de Hoje, é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e estúpidos estão cheios de certeza”.