Receita de Emanuel Câmara para o PS ser poder na Região: “Muito trabalho e menos show-off”

Fotos: Rui Marote

Presidente cessante tanto do PS-Madeira como da Câmara Municipal do Porto Moniz, Emanuel Câmara deixa, em dia do começo do Congresso do partido, que se realiza este fim-de-semana, uma mensagem de unidade, necessária para uma segunda investida rumo a crescentes vitórias: primeiro nas autárquicas que se avizinham, depois, nas próximas eleições regionais. Em entrevista ao Funchal Notícias, fala sobre o seu sonho de consumar algo que até hoje nunca aconteceu na Região: a alternância de poder, em democracia. Perspectiva todo um trabalho de consolidação das bases do PS-M, de aposta na manutenção dos actuais órgãos de poder local detidos pelos socialistas na RAM, e na conquista de outros mais. E vislumbra, num futuro não muito distante, a aposta num rumo de mudança do poder no arquipélago que considera ao alcance do partido: os madeirenses e porto-santenses, diz, “estão fartos de Miguel Albuquerque”. O “ataque” ao baluarte do poder regional deve ser feito “com mais trabalho e menos show-off”.

Esta é uma das várias indirectas que deixa, sem nunca ferir pessoalmente ninguém. Revela porém que não foi convidado para nenhum cargo no partido e que vai manter-se como militante de base. Admite recandidatar-se à Câmara Municipal do Porto Moniz, “se o povo quiser”, e ele próprio também. Matérias para estudo. Tanto quanto entende, o partido pretende-o novamente na autarquia nortenha e ele, Emanuel Câmara, será sensível a essas pretensões.

Diz que não sentirá a falta do cargo de presidente. “Fui a nona pessoa a chegar a presidente do PS-Madeira na sua História, e gosto de dizer, na brincadeira, que não sentirei a falta dessa designação presidencial, porque quando lá cheguei já era presidente de Câmara, com todo o trabalho feito com a população do Porto Moniz; e saio da liderança do Partido Socialista continuando como presidente de Câmara”. Comentando o Congresso que hoje principia, considera-o “um momento de exaltação, de afirmação”, de um partido que, mais do que nunca, assegura, “é a alternativa ao actual poder nesta Região”, desta vez sustentado pelo CDS.

Satisfeito com o resultado do seu consulado

Emanuel Câmara está satisfeito com o que se conseguiu alcançar durante o seu mandato como presidente do PS-M. A mais importante, salienta, foi tirar a maioria absoluta ao PSD. O PS não logrou concretizar o sonho de alcançar o poder executivo na RAM, mas, de cinco deputados, passou para dezanove. Daí que, no seu entender, o resultado do PS nas últimas eleições legislativas regionais, influenciado por múltiplas variantes, “não possa ser visto como uma derrota”.

Garante que só partiu para a presidência do PS-Madeira, aspecto em que alguns o acusaram de ser uma espécie de “barriga de aluguer” de Paulo Cafôfo, sob o mote do interesse maior de almejar uma alternância democrática na Região, alternância essa que, conforme realça, “é o cerne da democracia”. Foi assim que abraçou o desafio que lhe foi lançado, de ser líder do PS-M, “enfrentando Carlos Pereira”.

“É bom que se saiba, e eu não tenho medo de o dizer, que aquilo que fiz não foi nem por Paulo Cafôfo, nem contra Carlos Pereira. O que fiz foi com a convicção de que estavam reunidas as condições, e eram as melhores, para criar no espaço político da RAM a concretização da alternância democrática”. Apostou claramente na figura de Paulo Cafôfo. Um novo presidente que alguns, inclusive na oposição ao PSD, consideram estar entretanto já com uma imagem nitidamente desgastada, perante o eleitorado. Palavras, por exemplo, de Filipe Sousa, presidente do JPP e autarca de Santa Cruz, numa entrevista que recentemente nos concedeu.

Não é apoiante dos “partidos de um homem só”

Emanuel Câmara não vê as coisas exactamente assim, como Filipe Sousa. Mas diz não comungar da ideia “daqueles partidos de um homem só”. Para ele, o PS tem de trabalhar no seu todo, se quer atingir os objectivos superiores que  mencionou. Há, diz, uma coligação de direita que quer, a todo o custo, perpetuar-se no poder nos próximos anos; daí que todos os esforços sejam pequenos para a vencer. Apelando à “humildade” e ao “trabalho” como armas para alcançar a vitória, o nosso interlocutor reconhece a necessidade de “um presidente que faça a diferença, neste caso na perspectiva de apresentar-se como possível alternância democrática” no arquipélago. É este o objectivo máximo, fundamental.

“As lideranças, quer queiramos quer não, dependem dos resultados. O PS tem a fasquia bastante alta”, refere. Orgulha-se do que foi atingido durante o tempo em que foi líder do PS, “com o apoio de todos aqueles que me rodeavam na direcção do partido”. Tentou-se criar e melhorar uma estrutura, a começar pelas bases, pelas secções, pelas concelhias. Salienta a dinâmica que foi possível imprimir nas quatro câmaras da RAM onde o PS é poder, Funchal, Ponta do Sol, Porto Moniz e Machico, e nas câmaras onde os socialistas não o são, “dar mais voz, mais atitude, aos nossos autarcas”. O papel dos militantes, dos simpatizantes é de grande relevância, refere o entrevistado. E não se pode esquecer tudo o que foi feito pelos autarcas, os presidentes de câmara, os presidentes de juntas de freguesia, os membros das assembleias municipais. Todos em conjunto, “são a base que sustenta o partido”, e é essa mesma base que urge reforçar no desafio imediato que aí vem.

Noutro tempo, entendeu, foi necessário enfrentar Carlos Pereira para vencer a liderança do PS, e fazer com que Paulo Cafôfo ganhasse a Câmara Municipal do Funchal, tal como era importante para Emanuel Câmara ganhar a Câmara Municipal do Porto Moniz. “Isso aconteceu”, congratula-se.

Agora, não tendo sido atingido o objectivo máximo nas últimas Regionais, Emanuel Câmara não perdeu a fé: “Penso que o PS, no seu todo, e com o presidente que amanhã [hoje] será consagrado no Congresso, reúne todas as condições” para conseguir à segunda o que não logrou atingir à primeira, defende.

Nesta situação de ataque às autárquicas, preconiza Emanuel, “não podemos ambicionar apenas manter as câmaras que temos. Temos de pensar em ganhar mais câmaras”. Não será fácil, considera, mas sim “um trabalho árduo e difícil”. É necessário contar com os adversários. Com a oposição onde o PS é poder.

Socialistas devem apostar não só em manter, como em ganhar mais câmaras

“É fundamental sustentar o poder autárquico, numa primeira fase. Mas também temos de ser mais ambiciosos. Penso que o PS, com o trabalho que tem vindo a ser feito, poderá muito bem pensar em ganhar mais uma ou duas câmaras”, antevê o nosso interlocutor. E, se isso acontecesse, estariam ainda mais reunidas as condições para, “numas próximas eleições legislativas regionais, finalmente concretizarmos aquele sonho dos verdadeiros democratas da Região Autónoma da Madeira, que sabem que o cerne da democracia é a alternância (…)”. E essa, constata, ainda não aconteceu.

Num comentário enquadrado no actual cenário da Covid-19, Emanuel Câmara faz um pouco de humor negro considerando que na Madeira sofremos actualmente “de quatro pandemias”.

“Estamos a sofrer, infelizmente, com esta da Covid-19; temos agora a outra pandemia, na sequência da do Covid, a pandemia social, e ainda a pandemia económica”, diz. “Mas aqui na Madeira já sofríamos com uma outra pandemia, para a qual ainda não arranjámos a vacina: a perpetuação do PSD, com as suas políticas tentaculares para tomar conta de tudo e de todos”. Para Emanuel Câmara, pouco se alterou com Albuquerque no Governo Regional. “É uma nova forma tentacular de agir, usando e abusando das Casas do Povo para substituir-se ao poder local, nos espaços onde não consegue chegar”. Algo já anteriormente e insistentemente denunciado por um outro socialista, numa entrevista por nós publicada: Duarte Caldeira Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de São Martinho.

Quem acompanha há tantos anos a vivência democrática, “ou a falta dela”, na RAM não se surpreende por estas “artimanhas”. É apenas mais uma, considera.

Emanuel Cãmara continua a discorrer na nossa entrevista, pregando a união partidária, desta feita a concertação de esforços dos dezanove deputados na ALRAM e dos três deputados socialistas pela Madeira na Assembleia da República, e ainda a eurodeputada Sara Cerdas, no cerne das decisões do Velho Continente e da comunidade em que o nosso país se integra. Tudo para que, “juntamente com o trabalho autárquico”, seja possível pavimentar uma estrada que conduza, entretanto, à afirmação do PS “em todos os patamares” da representação política, e inclusive possibilite, em três anos, a subida ao poder neste arquipélago.

Confrontámo-lo com alguma “dissidência”: se há, nota-se, uma concertação em curso no PS-M, o firmar de novas alianças internas, também se verificam algumas farpas à liderança, como por exemplo, no contexto recente da Academia da JS, os “recados” deixados por Olavo Câmara, líder da JS-M [e filho de Emanuel Câmara] com destino certo, Paulo Cafôfo, reclamando mais atenção para com as estruturas de juventude do partido.

“O PS é um partido plural”

Emanuel Câmara não vê qualquer problema. “O PS é um partido plural”, afirma. “Competirá ao novo presidente mostrar de uma forma inequívoca que conta com todos”, incluindo a JS e o Departamento das Mulheres Socialistas.

“Quem tem que se preocupar com a Juventude Socialista não é a futura direcção do PS. Quem deve preocupar-se com a dinâmica, o trabalho e a afirmação da JS no panorama político regional e no âmbito geral são, de facto, as outras forças partidárias”, declara. E acrescenta que, mais do que nunca, já se percebeu que “a JS é uma juventude preparada, qualificada. Já lá foi o tempo em que os jovens quase que tinham vergonha de fazer parte da JS, porque estava na moda ser só da JSD. Neste momento, e temos que o reconhecer, há uma liderança forte da JS, que conduz a uma mobilização dos jovens, um pouco por toda a Região”.

A actual JS, não se cansa de afirmar, “tem ADN socialista”, e “isso só deve incomodar os nossos adversários, e não quem está à frente do PS-M”. Os actuais quadros da JS, já com cerca de 30 anos, “são miúdos que já entraram aos 14 anos, não vieram para aqui só numa situação pontual ou de oportunidade”. Uma situação que, admite, pode, pelo contrário, estar muito bem a acontecer dentro do próprio partido.

“Se calhar, estão neste momento dentro do PS pessoas conforme a circunstância, por oportunismo (…)”, realça. Continuando a enaltecer o contributo da JS, diz-se, por exemplo, “muito satisfeito” por ter visto uma antiga presidente da JS, Célia Pessegueiro, ganhar uma câmara, na Madeira. E também vê com bons olhos “essa mesma camarada a presidir ao Congresso e, que, pelo que julgo saber, pela comunicação social, vai presidir à Comissão Regional do PS, substituindo o camarada Bernardo Trindade”. Lembra ainda outros líderes anteriores da JS, como Vítor Freitas ou Jacinto Serrão, que chegaram a presidentes do partido. “Isso é algum problema? O que incomoda, esta juventude?”, questiona. “É a sua capacidade, é a sua dinâmica?”, entusiasma-se.

O primeiro a dar boas oportunidades à JS

E não deixa os créditos por mãos alheias: “Sei que fui o primeiro presidente do PS-M a dar à JS oportunidades como eles nunca tinham tido. Eles tiveram os melhores lugares de sempre numas listas para as diferentes eleições que eu protagonizei como presidente do partido, e para a Assembleia Legislativa da Madeira o quarto lugar, o melhor de sempre, e ainda o número dois para a Assembleia da República”. E ainda a aposta numa jovem, Sara Cerdas, para o parlamento europeu. Orgulha-se disto e não o incomodam nada acusações de nepotismo, pelo facto de o líder da JS-M e deputado no parlamento nacional, Olavo Câmara, ser seu filho. Rejeita tais associações negativas tranquilamente. Até diz que há três jovens socialistas em destaque, mas outros trinta poderiam estar onde eles estão. “Não percebo como posso ter favorecido a família”, assegura. “Quando cheguei a presidente do PS, Olavo Câmara já era líder da JS. Olavo Câmara, aos 14 anos, inscreveu-se na JS”, se calhar por influência do pai, que já acompanhava desde os três anos de idade nas andanças partidárias. Contesta, pois, as pessoas de “mentalidade pequena”, os chamados “sempre em pé”, que “também existem no PS” e que gostam de criar inimizades no interior de uma força política, com ataques pessoais.

A competência não deve incomodar ninguém

“Nós, os mais velhos, não devemos preocupar-nos com a capacidade de novos camaradas que aparecem, sejam eles jovens ou menos jovens”, insiste. “Devemos é ficar satisfeitos com isso. A competência não deve incomodar ninguém. Porque quando incomoda alguém… (…) Muito mal anda um partido quando começa a ver adversários no seu interior (…) Este legado que deixo ao partido, fico muito satisfeito com ele”, declara, e nele, frisa, inclui-se a aposta num outro jovem, João Pedro Vieira, “pois eu acompanhei-o e apercebi-me de todo esse potencial”, e “fui eu e mais ninguém quem o escolheu para secretário-geral”.

Questionámos como se irá posicionar agora Emanuel Câmara, no novo desenho partidário. “Não fui convidado para nenhum órgão”, responde. “Serei um militante de base, com todo o gosto. Como antigo presidente do PS, tenho assento em diferentes órgãos nos quais posso opinar, embora ainda sem me considerar ‘senador’… No meu histórico, tenho algo que faz inveja a muita gente: nunca pus o meu partido na praça pública, e tive tantas oportunidades para o fazer”, enfatiza.

“O meu relacionamento é sempre o mesmo: de respeito por quem os militantes escolheram. Neste momento, o presidente é Paulo Cafôfo, só tenho que o respeitar. Não vou comentar as suas opções ou decisões publicamente. Poderei dizer no lugar próprio, se com alguma coisa não concordar, como já fiz no passado”.

Mais uma corrida à Câmara

Já relativamente à possibilidade de partir para a disputa de um terceiro mandato na Câmara Municipal do Porto Moniz, admite-a. Diz que soube pela comunicação social que a intenção de Paulo Cafôfo será a de manter os quatro actuais presidentes de Câmara. Portanto, espera naturalmente que, na altura propícia, o presidente do partido na Madeira “fale comigo”.

Nessa altura, refere, há duas coisas importantes que terão de se conjugar: “Emanuel Câmara querer, e a população do Porto Moniz querer, também, que eu continue à frente dos destinos da autarquia”.

Para o nosso interlocutor, “o trabalho de autarca é desafiante”, mas “gratificante”. Considera-o “uma verdadeira escola para qualquer pessoa que queira enveredar pela política. Aprende-se que as coisas não são fáceis, que o dia-a-dia das pessoas não é fácil, e o autarca revela-se: ou tem, ou não tem capacidade”. No que lhe toca, entende que a população soube reconhecer o seu trabalho e o da sua equipa, e que ele próprio soube interpretar a mensagem das pessoas, desde que foi vereador na oposição até que foi edil.

Não é a única coisa de que se orgulha. “Sob minha liderança, o PS-M viveu um período como nunca viveu, na sua existência. Tivemos o melhor período, em termos de resultados, da História do Partido Socialista na RAM. Fruto do trabalho de todos, sem excepção. Tivemos excelentes resultados eleitorais. Falhámos só uma coisa: não chegarmos ao poder [nas regionais]. É importante vermos estes resultados pela positiva. Não podemos entendê-los como uma derrota. É exactamente ao contrário. Os madeirenses disseram que já não queriam o PSD no poder. Foi a primeira grande mensagem que foi transmitida. Estão fartos do PSD, e, neste caso, de Miguel Albuquerque à frente do poder. Os madeirenses já deram a sua mensagem. Sabemos todos que o PSD continuou no poder graças à bengalinha do CDS e dos seus três deputados. A partir daí, temos de viver este período, de nos afirmarmos”, insiste. Pois “estamos bem representados, em quantidade e em qualidade”. E com as finanças arrumadas, acrescenta. O PS, elogia também, já não está “no sufoco financeiro, não deve a fornecedores”. Outra vitória do seu mandato: “O partido”, enaltece, “está melhor do que quando cheguei à liderança. Disso não tenho dúvidas. A todos os níveis”.

“Mais trabalho e menos show-off”

Qual é o caminho? “Muito trabalho e menos show-off”, recomenda. Só assim será possível atingir a alternância. E o “único na Região” que tem potencialidades para tal, sentencia, “é o Partido Socialista”.

Confrontado com a bandeira tantas vezes agitada pelo PSD, de queixar-se do primeiro-ministro António Costa, numa espécie de ressuscitar do “contencioso das autonomias”, Emanuel Câmara não vê razão para esta estratégia. Em entrevista recente ao FN, o presidente da Junta de Freguesia de São Martinho, Duarte Caldeira Ferreira, admitia que não era fácil negociar com Costa, e que tudo dele tinha mesmo de ser “tirado a ferros”, mas salientava ao mesmo tempo que a Madeira sempre foi, historicamente, mais favorecida com executivos socialistas do que com executivos social-democratas na liderança do país. Emanuel Câmara afina pelo mesmo diapasão. Não acredita que o PS, na Madeira, possa vir a ser prejudicado em termos de resultados, pela postura de Costa em relação à RAM. Acha que não pratica, como o acusam, uma discriminação negativa à Madeira, em relação aos Açores.

“Na nossa Região, temos vivido não o contencioso das autonomias, mas da maledicência. O PSD tem usado muito esta última forma de contencioso, dizendo fazê-lo em nome da autonomia. Naturalmente que, se há partidos que valorizam o Estatuto Político-Administrativo da RAM, um deles é certamente o PS. É um partido com valores. Mas o PSD tem aquela tendência de pôr em causa o PS-Madeira, atacando o partido a nível nacional. Não é nada de novo. Mas não há dúvida nenhuma, e a História di-lo: foi com os governos [centrais] do PS que a Madeira sempre foi bem tratada”, insiste.

Pelo seu lado, dá exemplos de maledicência. Porque é que, desafia, o novo Hospital da Madeira não está ainda numa fase mais adiantada de construção? Admite que esta realidade foi constantemente mencionada nas últimas eleições regionais, e se calhar, o PS “acabou por ser prejudicado por toda essa envolvência”, essa acção negativa e calculada por parte dos social-democratas. Mas, interroga-se, “porque é que o Hospital está como está? É culpa do Governo da República? É culpa de António Costa?” Esgrimem-se argumentos a este respeito, mas para Emanuel Câmara, a realidade é clara como água e a culpa não é de Costa mas do Governo Regional.

“Murros na mesa” e protagonismo

Lembrámos: O próprio Paulo Cafôfo chegou, a uma dada altura, a dizer que tinha ido a Lisboa “dar um murro na mesa”. Mas Emanuel Câmara diz que foi muitas vezes a Lisboa e, como já anteriormente o disse, “não precisava de ser protagonista”. Pelo contrário, “tentei ser o mais discreto possível”. Já teve, declarou, a sua quota-parte de protagonismo, inclusive em actividade sindical e como árbitro de futebol.

A discrição, garante, e o respeito pelos outros, “foram uma marca” do seu consulado. “Aquilo que eu acho mesmo importante, é que o protagonista seja o Partido Socialista”, conclui. “A nossa estratégia tem de ser diferente, para nos afirmarmos como partido maioritário nas próximas autárquicas. Se isso acontecer, não tenho dúvidas nenhumas, vamos ser poder daqui a três anos na RAM. Já demonstrámos, a nível autárquico, que o nosso trabalho é maior do que todos os outros. Aliás, só se chegou a perceber o valor de uma autarquia quando o PS conquistou câmaras. Por antes, estas eram apenas mais um departamento do governo, do que um poder local”.