Museu Etnográfico da Ribeira Brava será alvo de beneficiações

A Secretaria Regional de Turismo e Cultura veio anunciar obras e investimento no Museu Etnográfico da Ribeira Brava. O titular da pasta, Eduardo Jesus, por ocasião da discussão do Plano e Orçamento, já tinha dado nota da prioridade de realização de obras de manutenção e beneficiação na dita instituição museológica.

“A publicação da portaria de repartição de encargos a assumir pelo Governo Regional em 2020 e 2021, é mais um passo na concretização desse investimento do Governo Regional na Ribeira Brava. O investimento, estimado em 200.000,00€ acrescido de IVA, visa a preservação deste importante equipamento patrimonial que integra uma antiga casa do século XVII, convertida no século XIX numa unidade industrial – o “Antigo Engenho de Aguardente da Ribeira Brava” – e um edifício novo, construído de raiz para este fim, inaugurado em 1996″, refere a SRTC.

Para Eduardo Jesus,  “tão importante como realizar novos investimentos, é dedicar atenção e recursos à imprescindível manutenção, beneficiação e preservação de bens e equipamentos patrimoniais que estão à nossa guarda. O acervo do Museu Etnográfico da Madeira integra colecções de objectos relacionados com os diferentes aspectos sociais, económicos e culturais do arquipélago da Madeira, parte dos quais se encontram expostos nas salas de exposição permanente, em áreas que serão intervencionadas no sentido de proteger e salvaguardar as condições da sua exibição e fruição por parte do público”, refere.

O projecto inclui ainda a criação de um passadiço, de forma a permitir uma zona de visualização próxima do mecanismo da roda do engenho.

O Museu Etnográfico da Madeira tem como vocação a investigação, documentação, conservação e promoção da cultura e etnografia madeirenses. Desde a sua construção, foi alvo de algumas intervenções de manutenção e conservação dos elementos construtivos e arquitectónicos, nomeadamente no que diz respeito à recuperação de coberturas e paredes exteriores do edifício principal, entre 2004 e 2006.

Os trabalhos a realizar entre 2020-2021 contemplam a beneficiação geral do edifício principal do Museu, quer do edifício antigo, do edifício novo e da passagem de ligação entre os dois corpos.

Afirma-se que será feita a revisão de toda a área das coberturas com substituição de telhas partidas ou danificadas; o levantamento de algumas fiadas de telha e da subtelha existente nas áreas das coberturas mais próximas das caleiras; a reparação das caleiras incluindo a verificação das pendentes, a impermeabilização dos canais de escoamento e finalmente o reassentamento da subtelha e das telhas removidas. No corpo correspondente à passagem entre o edifício novo e o antigo, será executada nova impermeabilização das áreas de contacto entre a laje de cobertura e as paredes contíguas dos volumes mais altos. No edifício novo, deverão ainda ser revistos e, se necessário, reparados todos os capeamentos em cantaria basáltica das paredes exteriores.

Relativamente à intervenção a realizar nas fachadas do Museu, serão removidas todas as camadas de tinta de existentes, recuperados todos os rebocos e executada nova pintura com tinta à base de silicatos. Na fachada norte do edifício antigo, está prevista a impermeabilização das áreas de parede horizontais, assim como a execução de impermeabilização pelo exterior da parede exterior em contacto com o solo na área correspondente à sala do Trigo, no piso térreo, implantada a uma cota inferior ao pátio. A intervenção deverá também incidir sobre todos os vãos em madeira (portas e janelas) e sobre todos os elementos metálicos existentes nas fachadas (tubos de queda e gradeamentos de janelas) e revistas todas as caixilharias de alumínio, nomeadamente ao nível dos isolamentos.

Nos espaços interiores, as salas de exposição permanente serão alvo de uma intervenção mais abrangente, nomeadamente ao nível da recuperação de rebocos e pintura das áreas com sinais de humidade, assim como a reparação/substituição de algumas áreas do pavimento em madeira que foram danificadas pela constante entrada de água através das coberturas.

Será criado um novo acesso à estrutura do engenho a partir da sala do Lagar, no piso 1, constituído por um passadiço com estrutura metálica junto à parede nascente da sala dos Transportes, de forma a permitir que o visitante tenha uma melhor percepção do seu funcionamento.

No exterior, o projecto inclui a recuperação de muros, gradeamentos e portões exteriores, assim como a execução de pavimento em calçada de calhau rolado no pátio norte e a colocação de lajetas em cantaria basáltica sobre os canais de abastecimento do engenho, de forma a permitir a utilização deste espaço por parte dos visitantes. Deverá também ser executada uma nova base para assentamento da caldeira do engenho, em cantaria basáltica. A intervenção irá incluir a recuperação dos candeeiros exteriores existentes no pátio, assim como a revisão da instalação eléctrica naqueles que se apresentarem danificados.