Albuquerque inaugura Festa da Flor e rejubila com manutenção de Portugal no corredor da Inglaterra

O presidente do Governo Regional abriu hoje oficialmente a Festa da Flor, que, como é sabido, decorre este ano num figurino diferente, devido à pandemia de Covid-19. Apesar de a celebração não contar com o número habitual de turistas e visitantes, a festa é para ir em frente, não só porque os madeirenses também gostam do evento, como também para os turistas que neste momento se encontram entre nós. Em Junho os passageiros embarcados rondaram os 4 mil, passando para 33 mil pessoas em Julho, e 64 mil passageiros desembarcados em Agosto. Na última semana, devido à abertura do corredor com o Reino Unido, houve um acréscimo de cerca de 40 por cento.

Albuquerque disse que os últimos dados que possui indicam que 68 por cento dos hotéis na Madeira estão abertos, com uma taxa de ocupação de 30 por cento. “Ainda temos um longo caminho de recuperação”, constatou. A dependência do mercado inglês é substancial, admitiu Albuquerque, temendo ainda que a Madeira viesse a sofrer com a possibilidade de Portugal voltar a ser inserido na lista negra da Grã-Bretanha, situação que entretanto não se virá a verificar, conforme anunciou o ministro dos Transportes inglês. Tendo tomado conhecimento dessa situação durante a inauguração, mostrou a sua satisfação.

O chefe do Executivo madeirense declarou o seu interesse na aposta noutros mercados que não exclusivamente o britânico, nomeadamente o mercado alemão, que tem recuperado bem, disse.

Miguel Albuquerque constata que está a surgir actualmente a segunda vaga de Covid-19 numa série de países. Comentou também a paralisia do mercado de cruzeiros que, apontou, está quase parado a nível nacional, devido, alegou, a uma situação muito complicada, que não é a gestão da pandemia dentro dos próprios navios, porque todos os passageiros são testados e monitorizados, mas devido ao desembarque. “O turismo de navios de cruzeiro é feito de paragens em diversos portos. Como é que se consegue controlar, num cenário de recrudescimento da pandemia a nível mundial, os passageiros que desembarcam e voltam a embarcar no navio? A indústria de cruzeiros neste momento está numa encruzilhada, e isso está-nos a afectar, como está a afectar todo o mundo”, declarou.

Uma série de navios de cruzeiro, como é sabido, deixou a Madeira de lado para realizar apenas pequenos cruzeiros no arquipélago de Canárias.

O presidente do Governo Regional disse que, neste momento, está prevista a continuação de apoios aos trabalhadores da categoria B e às empresas, e continuará a injectar dinheiro na área social, para “apoiar a classe média”.

“É natural que aumente o desemprego, pelo que teremos de fazer também um reforço do apoio aos desempregados”, assumiu. Neste momento está a ser desenvolvida a operação de financiamento da RAM, de 489 milhões de euros, importante para a RAM continuar a apoiar “as suas empresas, as suas famílias e os seus trabalhadores”, declarou.

Classificando a actual situação de “emergência”, admitiu que os fundos da União Europeia provavelmente não estarão disponíveis antes de Maio, o que significa que “temos agora que fechar esta operação de financiamento, em princípio em Outubro”, procurando obter um aval do Estado, para reduzir o pagamento de juros em 12 anos em 60 milhões de euros”.

“Vamos esperar que o Estado português apoie a Madeira, porque até agora não tem apoiado nada”, continuou o governante.