O Clube de Ecologia Barbusano, da Escola Secundária de Francisco Franco, realizou recentemente uma saída de campo, entre a Choupana e a freguesia da Camacha, pela Levada da Serra do Faial.
Nas imediações da Choupana verifica-se um predomínio de plantas exóticas invasoras, como acácias e eucaliptos, tendo sido possível observar no terreno ações para controle deste tipo de vegetação. Em algumas áreas estas plantas foram arrancadas e colocadas paralelamente às curvas de nível, tendo ocorrido um trabalho de reflorestação que deverá ser melhorado. Vários exemplares que foram plantados morreram, sendo imprescindível a sua substituição. Com muito agrado, foi possível verificar que esta levada foi alvo de trabalhos de beneficiação.
Já na Camacha, é de destacar a beleza da paisagem na zona do Sítio do Vale Paraíso, sempre bonita independentemente da altura do ano. O grupo percorreu a levada até ao Café do Moisés, tendo depois se dirigido para o centro da freguesia, seguindo a vereda da Achadinha.
A parte da tarde foi dedicada ao artesanato da “obra de vimes”. Trata-se de um património imaterial que corre o sério risco de desaparecer, existindo atualmente pouquíssimos artesãos e escasseando a matéria-prima – o vime. Os sócios e não sócios do Clube de Ecologia Barbusano tiveram a oportunidade de assistir a uma ação de sensibilização sobre esta temática, pelo professor Alexandre do Carmo. Este professor de Economia é natural da Camacha e foi, no passado, também ele artesão.
O grupo deslocou-se seguidamente em direção ao Sítio do Rochão, onde pôde presenciar ao descascar do vime e participar neste processo. O cheiro característico do vime cozido, o som peculiar da sua casca quando se solta da haste, assim como os amontoados de cascas negras, fizeram lembrar os velhos tempos, quando este artesanato tinha um peso relevante na economia desta freguesia e nesta azáfama participavam graúdos e miúdos. A última etapa da saída de campo consistiu numa visita a uma loja onde são vendidas peças feitas em vime, artigos de grande beleza e utilidade.
É muito importante salvaguardar este património imaterial, que faz parte da identidade madeirense, mas para isso é fundamental reconhecer o seu valor. Este artesanato pode criar emprego, contribuindo para a fixação das populações no meio rural e pode ajudar na preservação da natureza, na medida em que os terrenos cultivados evitam a expansão de plantas invasoras e a ocorrência de incêndios.
O Clube agradece a amabilidade do senhor padre Óscar Andrade, por disponibilizar o salão paroquial da Igreja da Camacha e à Direção da Casa do Povo da Camacha, pela cedência do seu auditório. Agradece, igualmente, ao senhor José João e ao casal José Pedro e Lucinda, pela forma atenciosa com que nos receberam. E, finalmente, um especial agradecimento ao professor Alexandre do Carmo pela forma entusiástica com que se envolveu nesta iniciativa.
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