José Manuel Rodrigues avisa para meses difíceis que se avizinham e defende medidas para sociedade mais equilibrada

O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, José Manuel Rodrigues, considerou hoje, na Ribeira Brava, que a pandemia, para além de um tormento, pode ser uma oportunidade. “No caso da Madeira, uma oportunidade para repensar o nosso modelo de desenvolvimento, dependente, excessivamente, do turismo e da construção e uma oportunidade para lançarmos as bases de uma sociedade mais equilibrada, com melhor redistribuição dos recursos e da riqueza”, declarou este responsável nas Jornadas Madeira 2020.

Trata-se de um ciclo de conferências que está a passar por todos os concelhos da Região, promovido pelo JM em parceria com o parlamento madeirense.

“A primeira prioridade do novo ciclo que agora devemos iniciar é inverter o declínio populacional da Madeira. Estamos a perder população e as projecções indicam que nas próximas será décadas sempre a descer se nada for feito”, disse, defendendo medidas para travar o envelhecimento da população.

Dados do ano passado da Pordata, indicam que na Madeira o número de pessoas com mais de 65 anos (22 por cento da população) ultrapassou, claramente, o dos jovens com menos de 15 anos que representam apenas 15 por cento.

“Cabe-nos defender bons serviços de lares e de acolhimento, caso as famílias não tenham capacidade de resposta, mas também cabe às Instituições de Solidariedade Social e à iniciativa privada apostar numa oferta de serviços capaz de responder a necessidades básicas das pessoas que já estão reformadas que têm dificuldades de mobilidade, mas que vivem nas suas casas. Falo da entrega de medicamentos e de compras, a ajuda domiciliária, a ida ao médico ou a um evento cultural e o acompanhamento nocturno aos que residem sozinhos, só para citar alguns exemplos”, enumerou o presidente do parlamento madeirense.

José Manuel Rodrigues quer fazer crescer a natalidade e garante que “este objectivo não se consegue, apenas com cheques-bebé ou com subsídios, mas com um forte investimento no apoio às famílias, com novas políticas fiscais e de segurança social e com novas leis laborais que propiciem aos jovens casais estabilidade no mercado de trabalho”.

O Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira quer ainda uma política social que aposte no emprego, “tendo o máximo de postos de trabalho com salários justos e o mínimo de desempregados com perspectivas de voltar ao mercado laboral”.

De acordo com José Manuel Rodrigues, “o segundo grande problema é a distribuição da riqueza”. Considera que “o nosso sistema fiscal e de segurança social castiga em demasia os rendimentos do trabalho e não incentiva a produção e a competitividade, nem premeia o esforço e o mérito. O resultado é uma classe média duramente castigada e com tendência para empobrecer ou estagnar, conclui.

Já as desigualdades territoriais são a terceira prioridade identificada e problema a resolver. José Manuel Rodrigues mostra-se preocupado com “a desertificação do norte da Madeira e dos concelhos mais afastados do Funchal, que provoca uma macrocefalia na capital e constrangimentos no acesso à saúde, à educação e a outros serviços essenciais.

“Precisamos de uma forte aposta na digitalização das empresas e do ensino, na qualificação de trabalhadores e empresários e na promoção dos cursos técnico-profissionais, pois só assim poderemos ter empresas de maior dimensão, a produzir mais e a criar empregos mais bem pagos”. Disse ainda que “não devemos ter medo de grupos económicos fortes, pujantes, a competir no mercado nacional e internacional, geradores de lucro, pois isso é a melhor garantia de que vão criar emprego qualificado para os mais jovens e remunerar bem o seu trabalho”, postulou.

O presidente da ALRAM avisou que, apesar dos esforços governamentais, “vamos ter pela frente meses dolorosos em que vai ser necessário estarmos muito atentos ao que se passa na nossa sociedade, sob pena de rompermos partes do nosso tecido social”.

“(…) temos que combater para eliminar uma das piores doenças da nossa sociedade que é o vírus da injustiça social”, finalizou.