PS-Madeira quer estratégia de gestão activa da floresta envolvendo comunidades locais

Os deputados do PS-Madeira defenderam hoje um plano de gestão florestal que envolva também as comunidades locais e que contemple não só a vertente da conservação, mas também o ponto de vista produtivo e económico.

Os socialistas estiveram de manhã na freguesia da Fajã da Ovelha, numa ocasião em que a deputada Sofia Canha destacou a relevância da produção silvícola, sector que, disse, tem sido negligenciado pelo Governo Regional. “Toda a extensão do concelho da Calheta poderia ser muito produtiva” nesse domínio, declarou, acrescentando que “há uma área muito vasta de terrenos baldios e de floresta que não está neste momento a produzir”.

A parlamentar relevou a importância do usufruto pelos proprietários dessas parcelas florestais, mas constatou que, neste momento, “com as políticas restritivas de utilização desses espaços e sem apoios públicos, não conseguem rentabilizar esses espaços que possuem”, o que seria fundamental do ponto de vista social para a criação de emprego e para a fixação das populações. Por outro lado, sublinhou que se a floresta for produtiva e bem conservada, isso terá impactos importantes, nomeadamente na manutenção das manchas florestais, na retenção das águas e na prevenção contra os incêndios.

Sofia Canha referiu que há terrenos que pertencem ao Governo e à autarquia, mas, por outro lado, adiantou que os proprietários que têm pequenas parcelas, “sem o apoio das entidades públicas não conseguem, sozinhos, produzir aquilo que seria o desejável, inclusive para manter o importante património florestal que é nosso”.

Neste sentido, a parlamentar considerou que “a Madeira precisa de uma estratégia, de um plano e de um orçamento próprio para a gestão florestal”. Uma gestão activa que, explicou, seja viável do ponto de vista produtivo e económico e que garanta simultaneamente a conservação. “O Governo Regional até agora não tem tido políticas de produção florestal, de produção silvícola, e era importante que isso acontecesse”, declarou Sofia Canha, frisando que “também é preciso envolver os proprietários e as comunidades locais nesse esforço de preservação”. Isto para que não aconteçam situações como a que foi recentemente tornada pública, em que existiram milhares de euros de apoios de fundos comunitários a projectos que não envolveram as populações. Referindo-se concretamente ao projecto do sítio da Pedra Ruiva, a parlamentar deu conta que o mesmo não envolveu a comunidade, razão pela qual as pessoas não se reveem nele.

Aliás, Sofia Canha adiantou que o PS vai apurar os factos relativos a este caso. “Vamos pedir uma cópia do projecto, informação sobre o mesmo, verificar se os factos políticos se confirmam ou não e depois chamaremos o Governo a dar explicações na Assembleia Legislativa sobre este assunto”, prometeu.