Comando Operacional da Madeira demonstra novas capacidades a entidades civis

Fotos: Rui Marote

O contra-almirante Dores Aresta classificou hoje como “um grande passo tecnológico” a implantação das novas capacidades do Centro de Operações do Comando Operacional da Madeira, capacidades essas que foram hoje de manhã demonstradas perante um conjunto de entidades. Presentes, entre outras personalidades, o representante da República para a Madeira, Ireneu Barreto, o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, José Manuel Rodrigues, e o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque. O chefe do Estado Maior-General das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro, veio à Madeira propositadamente para esta apresentação.

Dores Aresta explicou aos jornalistas que o COCOM, como é designado, foi concretizado em cerca de 50 dias, com revisões infraestruturais, para poder receber novos equipamentos e pessoal, não só das Forças Armadas mas também das forças e serviços de segurança e protecção civil. “Todos aqueles”, sumarizou, “que possam tirar benefício de uma articulação directa e situação presencial naquele centro durante a condução das operações.

“Terminámos a fase de instalação, agora vamos passar à fase de consolidação do que está aqui instalado”, referiu, numa segunda fase. O investimento, que não revelou, foi inteiramente suportado pelo Estado-Maior General das Forças Armadas, mas “não foi muito grande”. Maiores serão os custos da referida segunda fase, a da “criação de uma rede militar única que permitirá uma partilha global de informação entre os órgãos conjuntos e os ramos das Forças Armadas (…)”

Hoje, o almirante Silva Ribeiro presidiu à demonstração que contou com intervenções de Dores Aresta e de outros militares, demonstrando a capacidade operacional do COCOM. Para o efeito, foram estabelecidas ligações por videoconferência com uma missão militar portuguesa no Afeganistão e demonstrada a transmissão de imagens captadas por drone e comunicações áudio em tempo real a partir de uma equipa deslocada para o Curral das Freiras. Situado a uma altitude de pouco menos de cem metros, o drone filmava o estado de uma estrada, para efeitos demonstrativos, com ampliações e identificação, inclusive, dos homens no terreno. Também foi demonstrado como determinados drones comerciais adquiridos pelos militares podem funcionar como apoio ao controle de emergências de protecção civil, através de tecnologia que permite detectar focos de incêndio e veículos e, inclusive, determinar temperaturas, até de seres humanos em relação ao espaço envolvente, o que facilita também operações de busca e salvamento.

Foi ainda feita referência a drones mais avançados, de asa fixa ou com pás semelhantes às de um helicóptero, e a intenção da sua futura utilização no arquipélago da Madeira. Dores Aresta diz que “essa capacidade ainda está neste momento em estudo no EMGFA, envolvendo também os órgãos do ministério da Defesa Nacional”. A Madeira, explicou, tem características muito próprias, e estes meios não tripulados têm de cumprir com especificidades necessárias para actuar na RAM, nomeadamente perto da costa, junto de escarpas ou sujeitos a ventos fortes. “Não é qualquer veículo aéreo não tripulado que pode operar nesta região”.

“Talvez durante o ano que vem possam já haver algumas novidades, mas este é um processo que tem de ser conduzido com algum cuidado por envolve despesas avultadas, também”, declarou. As Forças Armadas já dispõem de alguns destas aeronaves não tripuladas, que tanto podem ser utilizadas para vigilância e controlo da nossa Zona Económica Exclusiva, como podem ser utilizados no apoio a emergências civis, entre as quais busca e salvamento. Os drones avançados podem localizar uma pessoa perdida no mar, por exemplo, “de uma forma muito menos dispendiosa do que o faria uma fragata ou um avião”.

Por seu turno, o chefe do Executivo madeirense, Miguel Albuquerque, mostrou-se “muito satisfeito” por “mais este passo importante para a salvaguarda do território nacional, e neste caso concreto do território da RAM”.

Referindo-se à capacidade logística e tecnológica do COCOM, considerou-as como “um passo decisivo” para a protecção do nosso território e da nossa plataforma continental, para a prevenção, para o socorro e para a articulação com a protecção civil.

A situação da RAM “ser um dos espaços de ensaio dos drones que estão a ser desenvolvidos a nível nacional” será muito importante até para uma eventual cooperação que possa existir a nível científico, com a Universidade da Madeira, os centros de investigação existentes na RAM e as próprias empresas.

O passo inicial, para o qual foi essencial a intervenção do almirante Silva Ribeiro, foi a implantação da Polícia Marítima, “como alertámos em 2015”, nas ilhas Selvagens, que “estavam a saque”, sem que houvesse capacidade, através dos elementos do Parque Natural da Madeira, de ali exercer de facto uma fiscalização e uma jurisdição adequada, sobretudo sobre as nossas águas territoriais. “Neste momento, penso que vamos no bom caminho”, disse.

Por outro lado, admitiu que é útil à RAM a ligação cada vez mais estreita entre militares e entidades civis para prevenir e acudir a situações de catástrofe natural. “Essa colaboração já existe”, estando consubstanciada, por exemplo, no POCIF, para prevenir incêndios florestais, mas é importante aprofundá-la em diversas vertentes e valências. A Região já está a utilizar também drones para efeitos de protecção civil, por exemplo para orientar o posicionamento de bombeiros consoante a direcção do vento em incêndios.

O representante da República, Ireneu Barreto, fez menção, também pelo seu lado, à grande importância que as forças armadas podem ter no socorro a populações civis em caso de repentinas catástrofes, como no 20 de Fevereiro de 2010 ou nos incêndios que posteriormente assolaram o arquipélago, em anos subsequentes. Destacou ainda o cumprimento de diversas missões de apoio a imprevistos nos quais se conta, inclusive, a pandemia da Covid-19; na Madeira a actuação neste campo não foi necessária, mas a presença numa segunda linha de eventual apoio e socorro à população madeirense ajuda a tranquilizar. Até porque, como referiu o próprio CEMGFA, almirante Silva Ribeiro, há capacidades que, no nosso país, apenas as Forças Armadas têm.

Na ocasião houve oportunidade também para se proceder ao descerramento de uma placa alusiva, e para a imposição de condecorações a várias personalidades.