Miguel Albuquerque diz que turistas que não aceitarem fazer teste à Covid-19 serão presentes ao juiz

Com a reabertura dos aeroportos e da actividade turística em Julho, Miguel Albuquerque espera uma retoma do sector, mas avisa que a situação “vai depender muito da situação pandémica dos países emissores”. Citando o Reino Unido, um dos principais países emissores de turistas, referiu que a situação ali, em número de infectados e número de mortos, é já superior a Itália. “A situação fugiu de controlo devido àquela ideia inicial da imunidade de grupo”. Por outro lado, há situações de países com situação mais segura, onde já é possível iniciar operações aéreas.

A ideia é apresentar a Madeira nos mercados internacionais como um destino seguro, “Covid-Safe”. A segurança sanitária será, opinou, um atractivo para os turistas. E o Governo Regional quer manter o destino turístico Madeira como um lugar onde potenciais cadeias de transmissão do vírus “são minimizadas, ou são controladas”.

Por isso o GR vai fazer avultados investimentos em testes e na preparação das infraestruturas aeroportuárias, bem como na resposta do sistema de Saúde. Os testes a aplicar nos aeroportos custarão à volta de 600 mil euros por mês, mas “prefiro gastar este dinheiro nos testes e em criar situações de segurança, do que gastar no apoio ao desemprego”, declarou.

Quando o passageiro sai do seu destino emissor, é-lhe recomendado que venha com teste já feito; se não o tiver, ao chegar à RAM, “todos os passageiros serão objecto de uma medição de temperatura e poderão fazer aqui o teste, nas instalações do aeroporto. Os passageiros que tiverem já o teste realizado vão à sua vida, são monitorizados mediante uma aplicação que podem voluntariamente disponibilizar no telemóvel. Aqueles que não tenham o teste nas últimas 72 horas, fá-lo-ão no aeroporto. Estamos a montar um sistema com equipas, num sítio agradável, nos aeroportos. Depois irão para o hotel, e nós vamos estabelecer um prazo máximo de 12 horas para entregar os resultados. Se tiver um resultado negativo, será acompanhado mediante disponibilização voluntária do sistema App no telemóvel, o que permite uma monitorização permanente (…). Há operadores que aceitam e compreendem muito bem que esta é a solução (…)”, assegurou.

Todo o passageiro que desembarca na Madeira, afirmou o chefe do Executivo, ou tem teste, ou faz o teste. O que garante, de facto, uma grande segurança, que permitirá “sair da crise do turismo com alguma rapidez”.

Miguel Albuquerque voltou a realçar a saúde da população como o grande valor a preservar, pelo que, se com a reabertura do turismo, se verificar um surto de Covid-19, “tomaremos todas as medidas necessárias”, promete. A reabertura das aeroportos e actividades turísticas “é um risco calculado e controlado”. Todos os hotéis têm, neste momento, planos de contingência. O presidente acredita ser possível controlar, em termos sanitários, um fluxo de turistas da ordem das 20 mil ou 30 mil pessoas.

“Vamos ter espaços, designadamente unidades hoteleiras, quer no Porto Santo, quer na Madeira, para as situações em que os turistas acusam negativo [nos testes à Covid-19]; todos os hotéis têm planos de contingência, com zonas de isolamento previstas, que não obrigam ao encerramento do hotel; por outro lado, teremos unidades hoteleiras para garantir a quarentena e o conforto desses turistas que podem eventualmente acusar positivo, ou nos quais surjam sintomas”, declarou ao FN. “Um turista que se recuse a fazer o teste, é presente ao juiz, no prazo de 24 horas, e depois é submetido ao teste, a uma quarentena”, alegou. “As situações estão todas contempladas”.

Albuquerque admitiu, por outro lado, flexibilizar mais medidas de desconfinamento, com a autorização da realização de arraiais, cuja importância para a economia regional referiu, mas admitiu que ainda terá de ser equacionado como é que tal poderá ser feito, uma vez que “mexe” com as regras óptimas de distanciamento social.


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