João Pedro Vieira denuncia “perseguição” do Governo com inspeções no Mercado dos Lavradores; ARAE faz terceira visita em pandemia

João Pedro Vieira, vereador da Câmara Municipal do Funchal com os pelouros, entre outros, dos mercados municipais e da fiscalização, veio hoje a público, na sua página pessoal do Facebook, insurgir-se contra a atuação da Autoridade Regional das Atividades Económicas, acusando aquela estrutura de fiscalização, na tutela do Governo Regional, de “levar” recados a comerciantes, com grande aparato, no Mercado dos Lavradores. “Já vai na terceira visita de depois da pandemia”. E acompanhada, diz o veredor, por vereadores do PSD.

O vereador é contundente no seu escrito, particularmente cáustico para com o CDS-PP, numa clara referência à liderança da ARAE, entregue o parceiro de coligação do PSD na governação regional. João Pedro Vieira, mesmo que a título pessoal, expressa uma opinião que inevitavelmente o liga a uma evidente divergência Governo/Câmara, sendo que em matéria de Governo, é bem visível uma reação forte relativamente ao Mercado dos Lavradores que ontem retomou as sextas de movimento naquele espaço, embora ainda com pouca gente face aos receios que a população ainda a sente, fazendo um desconfinamento desconfiado.

João Pedro Vieira relata que hoje, sábado, “no dia seguinte ao regresso do comércio ao Mercado dos Lavradores, a Madeira atingiu um novo nível na perseguição e no ridículo político: depois de uma acção inspectiva, com quase tantas pessoas quantos comerciantes da Praça do Peixe, ter acabado com fotos publicadas a cores numa proposta de deliberação do PPD e a preto e branco num jornal, nunca chegando à Câmara Municipal, hoje foi a vez de dois inspectores da ARAE terem visitado o Mercado dos Lavradores acompanhados… de dois vereadores do PPD, apresentando-se a comitiva como tal. Até hoje e desde que há um novo cowboy na cidade, sem que alguma vez tenha estabelecido qualquer comunicação formal com a Câmara, já vamos na terceira visita desde o início da pandemia, todas cheias de aparato e recados a funcionários e comerciantes. Tudo sempre com uma lógica muito simples: procurar destruir o trabalho de quem, todos os dias, não tem feito outra coisa que não seja manter viva a única fonte de rendimento de tanta gente. Agora, a oposição tem a força de órgão de polícia criminal e persegue quem não tem outra forma de sustento, mas suspeito que, para serem bem sucedidos, vão ter de continuar a aumentar a carga. A alguns idiotas, não há crachá novo que os safe”.