Navios de cruzeiro que a Madeira recusou…

Rui Marote
A Madeira deixou fugir para Canárias navios de cruzeiro que, de outro modo, podiam estar a render milhares de euros aos cofres da Região. Nos portos de Santa Cruz de Tenerife e no porto de La Luz em las Palmas encontram-se muitos barcos fundeados: Mein Schiff Hertz, Mein Schiff 2, Mein Schiff 1, Aida Bella, Aida Mira, Aida Nova e Ocean Adventure, aguardando luz verde para iniciar a época de Verão.
É o que se chama ter o pássaro na mão e deixá-lo fugir, com “nuestros hermanos” canários a facturar. Pode não se tratar de muito dinheiro, mas em tempo de guerra não se limpam armas. E não faltam interessados em amealhar milhares de euros numa altura que a industria turística dos cruzeiros “hibernou”.
Lisboa também é exemplo, com o Msc Poesia no terminal de cruzeiros. A bordo, o mínimo de tripulantes mantém estas cidades flutuantes operacionais.
Já a Madeira, desde que foi declarado o encerramento dos portos, negou a presença de alguns destes navios para fundear ou acostagem no cais sul da pontinha sem a existência de turistas.
Chegou-se anunciar uma possível troca de tripulantes dos “Aidas”, mas não sucedeu, nem foram dadas explicações tratando-se de boatos…
Hoje os euros estão a cair nos cofres dos canários e no porto de Lisboa. A Madeira fica a “ver Braga por um canudo”.
O porto do Funchal está ás moscas e só deverá estar operacional a receber os primeiros barcos em Setembro, em movimentos muito reduzidos.
Os cofres da APRAM começam a dar sinais de que a partir de Julho a entidade terá grandes dificuldades para cumprir com as suas obrigações, ficando à espera que o Governo possa injectar capital para sobreviver.
O que Miguel Albuquerque disse foi o encerramento para tráfego de passageiros e não a proibição absoluta para os navios fundearem ou acostarem mediante restrições.
Mas lá diz o ditado, há quem queira ser mais papista que o Papa. Resumindo: os navios emigraram para os nossos vizinhos que estenderam as mãos para receber estas dádivas em tempo de crise.