A “coronadúvida”

O mundo está a ser bombardeado com toda a espécie de notícias, via televisão, rádio, Internet, espalhando o pânico. Consequentemente, as pessoas ficam apavoradas, debilitadas e consomem desenfreadamente nas redes sociais as “fake news”.

Mas sugiro-vos uma outra análise do problema: pior que o coronavírus é a “coronadúvida”: o primeiro contamina pelo contágio das pessoas umas com as outras, enquanto o segundo contamina as pessoas em isolamento através dos ouvidos ou dos olhos. Nem é preciso mantê-los limpos ou desinfectados.

A memória histórica é sempre uma grande mestra e urge trazê-la a esta reflexão. Nos anos 60 do século XX, Portugal enfrentava uma guerra nas Províncias Ultramarinas. A acção psicológica era então uma das armas. Não esqueço um cartaz na caserna: “O boato fere que nem uma lâmina”. Passadas décadas, subvertem-se os lemas. Agora o cartaz é outro, com sabor a ordem de comando “fica em casa”. Era esta a frase que todos os dias, às 18 horas, a caixinha mágica reproduzia pela voz do Secretário da Saúde, Pedro Ramos, na sua oração de sapiência…

O “mundo Covid”, veio para ficar, para além dos espartanos controlos de passageiros que enfrentamos no aeroportos, tira cinto, tira sapatos, tira casaco, tira computador, tira moedas, deita fora a garrafa de água, a que já nos habituámos. Novas realidades de aperto da segurança à pala do covid, enquanto antes nos voos a descontracção era a palavra de ordem.

Agora enfrentamos a quarentena, que antigamente eram 40 dias e que agora são apenas 14 dias numa unidade hoteleira ou no domicílio.

Quando o povo de Deus saiu do Egipto para a Terra Prometida vagueou 40 anos no deserto, mas Deus dava-lhe comida, água e sombra, a roupa e os sapatos não envelheciam. Hoje, enfrentamos uma nova e difícil travessia económica a que se juntam dúvidas de todas as espécies.

Não há remédio, não há vacina, não há cura para o coronavírus … Até quando? Os únicos dois remédios conhecidos são ficar em casa e lavar as mãos. O pior é que há países que nem água têm! O mundo está de pernas para o ar. Onde estão os políticos? Uns nem sabem contar os mortos, outros sabem menos cuidar dos vivos. Até agora o Governo da RAM anunciava triunfalmente,  no parlamento e noutros eventos, que a região estava a crescer há mais de 40 meses.

Passados dois meses, estamos falidos (tesos). OGoverno central não transfere um euro, aguardando as decisões de Bruxelas, para sabermos que fatia vamos receber do “bolo”. Como região ultraperiférica assistimos sentados no sofá  a UE a doar, no dia 17 de Abril, a fundo perdido, cinco milhões de euros para apoiar a tesouraria cabo-verdiana que é o reconhecimento da importância das medidas desenhadas para fazer face à pandemia, o que equivale ao primeiro reembolso.

A nossa galinha de ovos de ouro morreu, entretanto,na capoeira. Não vejo num futuro próximo como vamos fecundar novos pintainhos se os ovos são gouros… A indústria turística paralisou e não sabemos até quando. Cada dia que passa é mais um prego no caixão.

Num dos meus últimos artigos intitulava que “vamos ter medo da nossa própria sombra. Viajar não será como dantes. Haverá todo um livrinho de regras, começando pelas chegadas aos aeroportos. Além do passaporte e de visas de permanência em certos países, será necessário um passaporte sanitário”.

Já passei por  isso nos anos 73 e 74: em território moçambicano, tinha de me deslocar a Cabora Bassa em viagens de trabalho. No aeroporto do Songo, à chegada, exigiam-nos a vacina da cólera. Era o único local daquela colónia ultramarina onde isso acontecia. Um posto sanitário estava instalado à chegada. Tem vacina entra, não tem leva. Validade seis meses. Ao longo de dois anos,  levei umas sete ou oito, por esquecimento do livrinho das vacinas que ainda hoje guardo.

A procissão ainda vai no adro, os aviões estão paralisados, os hotéis encerrados e já está instalada uma guerra na medição de temperatura e a sua legalidade por causa do registo de dados.Todos querem uma vacina em tempo recorde. Mais de setenta laboratórios trabalham e alguns já estão em testes. Tenho as minhas dúvidas! Haverá vacina?

Há outras doenças como a malária que mata milhões, e a Sida, para as quais não existe vacina. Em 31 de Dezembro de 2019, a China comunicou à Organização Mundial de Saúde: está tudo controlado. Antes de fazer o cerco a Whuan, 7 milhões de chineses abandonaram a cidade. É quase a população portuguesa. Voaram para a Austrália, Nova Zelândia, Europa, África. A informação não pode ser manipulada. O mundo vai ter que obrigar a China no pós Covid-19 a rever as suas estatísticas. Há coisas que não batem certo.

Mais tarde ou mais cedo, a verdade, como o azeite vem sempre à tona.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.