Bloco de Esquerda denuncia “golpada do PSD” no parlamento madeirense

O Bloco de Esquerda denunciou hoje uma “golpada do PSD no parlamento da Madeira”, sustentando que, a pretexto da pandemia o PSD e o CDS aprovaram “uma norma abusiva que permite o voto por procuração dos deputados ausentes dos plenários. No limite podem estar todos os 23 deputados da oposição na sala e bastam um do PSD e outro do CDS, para garantir a vitória destes nas votações”.

Paulino Ascensão, dirigente do Bloco, diz que, com a maioria “presa” por um único deputado, o risco de perder uma votação é considerável, em caso de ausência de algum, pelo que em dias de votação, ninguém pode ausentar-se. Para afastar esse risco, PSD e CDS aprovaram ontem, (dia 28) uma alteração ao regimento da Assembleia Legislativa que atribui a cada bancada os votos correspondentes ao número total de eleitos, independentemente do número de ausentes.

“Os deputados do PSD e CDS têm muitos afazeres, são empresários (deputados só nas horas vagas) têm de cuidar dos seus negócios e é uma maçada passar no plenário o tempo das sessões, com esta norma ficam desimpedidos para tratar das suas vidinhas. É um desrespeito pelo parlamento e pela Democracia, a mensagem que PSD e CDS transmitem é que os deputados nem para levantar a mão fazem falta”, refere Paulino Ascensão.

Quanto ao CDS, consideram os bloquistas, “dá mais uma cambalhota, depois de 40 anos a queixar-se da prepotência do PSD, alinha agora numa golpada que antes lhe mereceria vigorosos protestos – o CDS dissolveu-se no PSD”.

“Os apetites anti-democráticos estiveram sempre latentes no PSD-M ao longo dos anos da Autonomia, compete agora ao Representante da República preservar a normalidade democrática na Região. Não conhecemos outro parlamento democrático que fora dum contexto de excepção preveja este tipo de expediente”, acusa Paulino.