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Em Maio de 2019, o nosso cronista Nelson Veríssimo, historiando a peste que assolou a cidade do Funchal e que matou milhares de madeirenses em 1519, constatava: “Hoje São Tiago, o Menor não é chamado para o tratamento de epidemias. Já não se fala de peste, palavra que antigamente causava pânico nos cronistas e escrivães, que logo depois da sua escrita, colocavam entre vírgulas a expressão “de que Deus nos livre”. O ilustre professor terminava a sua crónica apontando: “As pestes dos nossos dias são outras: corrupção, clientelismo, nepotismo, bajulação, prepotência, discriminação, desrespeito pelo Património Cultural e Natural, deficiente administração da justiça, precariedade laboral, desemprego, pobreza, violência, tóxicodependência… populismo. Que São Tiago nos livre das novas pestes e dos pestes”, concluía.
Quem iria imaginar que um ano decorrido enfrentaríamos uma “peste” que se chama covid-19?
A Câmara Municipal do Funchal, ao longo de quase 500 anos, promoveu a solenidade de São Tiago Menor, integrando vereadores e demais autoridades civis e militares no cortejo processional.
Várias vezes a tradição foi interrompida, como com a Revolução de 5 de Outubro, tendo retornado o costume já no Estado Novo. Idêntica suspensão ocorreu, após o 25 de Abril. Em 1976, resumiu-se a uma missa mandada celebrar pela Câmara. Houve anos em que saiu uma procissão da Igreja do Socorro regressando ao mesmo templo. Assim aconteceu em 1990.
No entanto, em 1991, o cortejo processional teve novo itinerário, estabelecido pela Câmara: deixou de partir da Catedral, como fora prometido “para sempre em cada ano deste mundo”. Passou então a sair da capela do Corpo Santo, incorporando o andor com a escultura de São Tiago.
Em 1999, a chamar a atenção para o incumprimento parcial do secular cumprimento Funchalense, a procissão saiu da Sé, alegadamente por se comemorarem os 600 anos do Porto Santo e da Madeira, quando na verdade, a razão deveria ser a observância do voto da cidade do Funchal, feito em grande aflição há cerca de cinco séculos.
A História repete-se: o voto voltará a não ser cumprido !…?
Ou teremos Miguel Gouveia em gesto individual, a depositar a chave da cidade simbolicamente na porta da Igreja do Socorro em Santa Maria Maior…Ficamos a aguardar!!!
Não querendo ser profeta da desgraça, a anunciar catástrofes, a grande peste económica está à porta por largos anos. Que Deus nos proteja, pois para Ele nada é impossível… São Tiago já não nos ouve!
PS: este artigo foi escrito a 20 de abril.
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