
“É precisamente nos tempos que vivemos, o de um estado de emergência, que limitou algumas das nossas liberdades, para segurança de todos, que o 25 de Abril não pode ser levado para a clandestinidade”, estas foram palavras do deputado socialista Paulo Cafôfo, hoje no Parlamento Madeirense, durante a sessão solene comemorativa do 25 de abril.
Cafôfo diz que “o 25 de Abril não pode ser uma lembrança passada, porque precisamos de uma Autonomia bem presente” e reforça a ideia que “esvaziar o simbolismo de Abril, é esvaziar a Autonomia, essa inovação no direito constitucional português, trazida pela Revolução”, sublinhando ainda que “houve com o 25 de Abril uma ruptura na organização do Estado, que continuando a ser unitário, acolheu uma aspiração histórica da Madeira e dos Açores: a autonomia insular. A Autonomia acrescentou dimensão a Portugal: dimensão política, dimensão geoestratégica, dimensão cultural”.
O deputado socialista acentuou que “o centralismo, ao longo de todos estes anos, provocou um desgaste que condicionou a nossa liberdade autonómica, à custa dos horizontes curtos do outro lado do Atlântico. Mas também há culpas deste lado, com uma maturidade democrática que falta, que utiliza a Autonomia como arma de arremesso político, facto que impede um relacionamento institucional com a República, assente na razão, na negociação e no compromisso”.
Para Cafôfo “a Madeira não pode estar sozinha e não podemos persistir no orgulhosamente sós, que só irá agravar a nossa insularidade. Muito menos num momento como este, em que resistimos contra uma pandemia, e em que a Madeira não pode ser esquecida. Vivemos em confinamento em prol de um futuro. O sacrifício de hoje, a perda de liberdade de hoje, significa o voltar a uma normalidade amanhã”.
Referindo-se à pandemia da Covid-19, Paulo Cafôfo lembra que “o PS-Madeira tem estado ao lado do Governo Regional no apoio a este combate, com uma postura colaborativa e propositiva. Estamos todos a lutar pela Madeira. Mas defender a Madeira é não abdicar de dar opinião, é fazer uma avaliação construtiva à actuação do Governo Regional, é apontar soluções para os problemas, é fomentar o debate sério, até porque desta forma, e com diversos pontos de vista, o Governo pode decidir melhor”.
“E é com esse sentido que o PS Madeira tem defendido que o Governo Regional faça mais testes de diagnóstico à COVID-19. Estes testes permitem que as pessoas possam ter a confirmação se estão, ou não, infetadas, ou seja, este procedimento pode ajudá-las a receber os cuidados que necessitam, mas também a tomar as medidas necessárias para não infetarem outras pessoas, sendo uma importante medida ao nível da contenção do vírus”.
O deputado revela que o PS-M vai apresentar “um pacote de propostas para serem discutidas e votadas na reabertura regular dos trabalhos desta Assembleia: um corte na subvenção aos partidos, limitação do número de assessores do Governo Regional, diminuição das rendas das PPP rodoviárias da Vialitoral e Viaexpresso, dissolução das Sociedades de Desenvolvimento. Precisamos de salvar empresas e empregos, precisamos de apoiar com tudo o que temos quem fechou as portas, para que possa ter condições de as abrir quando forem levantadas as restrições.
O parlamentar diz que “a Madeira vai precisar de se reinventar e temos de nos focar em 3 grandes objetivos para a recuperação económica: restaurar o sector do turismo, aumentar a competitividade e aumentar a produção regional”.
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