Viagem familiar terá causado explosão de casos de Covid-19 em Câmara de Lobos; utentes de lar no centro vão ser testados

Pedro Ramos não contestou os dados com que hoje foi confrontado por um jornalista da TVI, no âmbito da conferência de imprensa diária do IASAÚDE, por videoconferência e transmitida no facebook do Governo Regional. O repórter, Mário Gouveia, assegurou que o “cluster” de Câmara de Lobos teve origem na chegada de sete pessoas (e não duas como anteriormente referidas pelas entidades oficiais) do continente, a 15 de Março. Alegando ter informações da própria família que confirmam isto, o profissional acrescentou que essas pessoas se deslocaram a Fátima. À chegada, terão ido para casa cumprir a quarentena, tendo havido casos de incumprimento da mesma e avisos da PSP. Terminada a quarentena, o delegado de saúde autorizou as actividades normais. Uma dessas pessoas, disse ainda o jornalista, é segurança do supermercado da Ribeira Brava, onde a 28 de Março, se registou um caso. Uma das filhas do segurança foi a 7 de Abril ao Hospital, exibindo sintomas de diarreia, foi mandada para casa, mais tarde voltou ao Hospital, e só agora foi testada e acusou Covid-19. O funcionário do supermercado foi ao Centro de Saúde, não foi testado; apenas perguntaram se tinha sintomas, e como não tinha, foi para casa. Ficou encarregado de levar à casa da família os alimentos e provisões necessárias. “E é a partir deste elemento que a maioria dos infectados na família foram detectados como positivos (…)”

O secretário regional da Saúde e Protecção Civil não desmentiu. Referindo-se à reconstituição feita pelo jornalista, disse que “esse é o trabalho que os delegados de saúde fazem”, elogiou o trabalho dos mesmos e disse que os mesmos “rastreiam” bem os casos suspeitos. Justificou o facto de o segurança poder trabalhar “se não apresentava sintomas” e a decisão de não o ter testado foi, consequentemente, “uma decisão no terreno do delegado de Saúde Pública”.

“Tudo aquilo que V. Exa. reconstituiu, é isso que nós temos conhecimento, é isso que o delegado de saúde da área de Câmara de Lobos tem conhecimento, e é com base nisso que vamos seguir detectar, isolar e testar, se for caso disso”, assumiu o secretário da Saúde, que preferiu pôr a ênfase no facto de se “tratar de casos importados” e não de “transmissão na comunidade”.

Por seu turno, Bruna Gouveia, vice-presidente do IASAÚDE, disse que até foram mais de sete pessoas a viajar. “Entretanto, no primeiro grupo dos contactos próximos, identificámos dez, foram ontem os noticiados; dez casos positivos, dos quais dois tinham viajado e provinham de Lisboa. Hoje, identificámos no mesmo grupo mais 16 casos positivos e mais três com proveniência do continente, dois de Lisboa e um do Porto. Aqui, temos algumas pessoas que fazem parte do grupo [de pessoas de Câmara de Lobos]”, declarou.

Entretanto, Pedro Ramos assumiu que vão ser realizados testes aos utentes e funcionários do lar de Câmara de Lobos que se encontra próximo do bairro onde foi detectado este “cluster” de casos. São, anunciou o governante, 115 no total, 67 utentes e 48 funcionários, que serão testados já amanhã.

Entretanto, e relativamente ao novo caso detectado no Funchal, foram já identificados 8 contactos próximos do mesmo, foi dito, e que já estarão a ser controlados.

A vice-presidente do IASAÚDE considera que neste momento não se pode ainda dizer que a Madeira tenha de entrar numa fase de mitigação, por haver transmissão local. Actualmente, esclareceu, “não se considera que na Madeira haja transmissão comunitária activa”.


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