Thomas Dellinger: Covid-19 – Quando é que isto vai terminar, quando é que podemos voltar à vida normal?

Thomas Dellinger – BIÓLOGO

¡AF!

Várias pessoas têm me feito perguntas sobre esta pandemia, uma vez que sou biólogo e as pandemias são processos biológicos. A pergunta mais recorrente é o “quando”, quando é que isto vai terminar, quando é que podemos voltar à vida normal.
Neste contexto parece-me importante chamar a atenção a alguns factos básicos.

1. Estamos neste momento com uma % de infetados de menos de 0.3%. Isso significa que acima de 99% da população portuguesa (e do Mundo) ainda não teve contacto com o vírus e é, portanto, “suscetível” a ser infetada.


2. Segundo os modelos epidemiológicos estima-se que somente poderemos voltar à normalidade pré-covid quando cerca de 60%-80% da população pertença ao grupo dos “resistentes”, ou seja, tenha sido infetada e sobreviveu ou tenha sido vacinada.


3. Isto significa que estamos no início do combate à pandemia e não na fase de pico ou patamar, pese a curva dos infetados aponte nessa direção. As curvas de previsão do número de casos novos e do número de casos confirmados espelham somente as taxas de propagação do vírus, e, devido ao isolamento social imposto, e bem, pelos governos, essas curvas apontam para uma redução no final deste mês ou do próximo. Isso resulta essencialmente em que o grau de afluência aos serviços de saúde seja espaçado no tempo, e não espelha o progresso da pandemia.


4. Devido ao dito a pandemia veio para ficar, provavelmente por muitos meses senão ano ou mais, e corremos um sério risco de, se reduzirmos o grau de confinamento estarmos sujeitos a uma segunda vaga de infeção.


5. Temos de começar a pensar em como retomar as nossas atividades e a economia de forma a minorar os impactos sobre as pessoas tanto na saúde como na sua economia.


6. Segundo vários artigos e opiniões de especialistas, poderemos lentamente aumentar o grau de interação entre as pessoas, e consequentemente a economia, através de 3 medidas:

  • (1) Imposição do uso de máscaras FFP2 generalizado (se tivermos acesso);
  • (2) Uso de aplicações de telemóveis que permitam reconstruir as cadeias de infeção;
  • (3) Testes massificados.

 


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