Governo não quer fazer “ondas” com Lisboa e aposta na “diplomacia” para chegar aos apoios

O Governo Regional não quer problemas, sobretudo agora, com o Governo da República. Quer levar a bem os apoios em contexto de crise e não pretende alimentar conflitos quando o objetivo é mesmo o de conseguir as verbas em modo sem “ondas”. Por isso, aquele chumbo da proposta do CDS, ontem no Parlamento a República, ainda por cima incidindo mesmo nos assuntos que Miguel Albuquerque tem “batido” nos últimos dias, não veio nada a calhar para abrir uma “guerra” nesta altura em que o foco é outro, o da saúde. Um outro contexto e seria grave.

As primeiras reações foram “duras”, mesmo do próprio PSD-Madeira, cujo partido a nível nacional tinha votado contra os apoios para as ilhas, o mesmo se passou com o PS-M. A estrutura de base “laranja”, na Região, tomou posição, em alguns casos num patamar do “forte e feio”, sendo que uma das vozes mais duras foi mesmo a do deputado Carlos Rodrigues, desencadeando reações de apoio, que talvez tivessem em mente um cenário normal sem ser este.

Depois, sucederam-se as explicações, do PS-M, do PSD-M, do CDS, todas na base de um “meio dentro, meio fora”, incidindo sobre outros valores mais altos que estariam em avaliação, bem mais importantes que esta pequena “areia” no caminho de uma proposta que, ainda por cima, surgiu num dia em que o PSD nacional já tinha dito que ia chumbar tudo, fosse o que fosse, por recusar aproveitamentos políticos. O PS, nas diferentes formas, veio garantir que a ideia do voto a favor até chegou a ser ponderada, mas os apoios virão de outra forma, uma promessa que vai ao encontro do que afirmou o deputado socialista Carlos Pereira, aquilo era uma resolução e o que é preciso, já, é ação e não dispersão. Tudo explicado.

E, claro, depois disso, depois de assimilar todas as reações, incluindo a do seu partido, veio o desabafo do deputado Carlos Rodrigues, pela mesma via da primeira reação. Escreve para os outros, fala dos anónimos que apontam um extremar de posições, dos outros que dizem que a proposta até poderia ser aprovada, não foi mas vai de outra forma, chegando finalmente aos outros, que aponta como “os meus”, que argumentam com o chumbar tudo neste contexto em que pode haver aproveitamento. “Mais valia nem terem aparecido”, reage o parlamentar madeirense.

Até que hega o desabafo: “Devo estar errado…como já percebi que sou um empecilho, um renovadinho irado causador de todos os males, mais vale não dizer mais nada sobre o assunto para não perturbar as doutas cabeças bem pensantes cujos elevados níveis de diplomacia e inteletualidade tudo resolverão”.

Neste domínio das responsabilidades da República, sabe-se que sendo o Representante o garante da boa execução, na Região, das medidas impostas pelo estado de emergência, uma decisão da República, também estará assegurada uma defesa intransigente de Ireneu Barreto, relativamente ao que a Madeira tem direito para fazer faze às consequências das medidas adotadas, de contenção à Covid-19. O Representante tem afirmado, em vários momentos, a solidariedade da República, que neste primeiro momento aposta na solução para o problema de saúde, mas numa fase seguinte terá em conta o apoio que a Região pretende, adiamento das duas tranches de pagamento das prestações no âmbito dos compromissos da Região para com o PAEF, bem como o recurso ao endividamento, para o que é necessário a suspender parte da Lei de Finanças Regionais. O Governo Regional pefere dar o benefício da dúvida.