Uso de máscara: nova tendência internacional é alargar o seu uso para todos

“Não há dúvida de que o uso de máscara é uma protecção importante (…) para as pessoas se protegerem da contaminação”, sublinhou hoje Miguel Albuquerque. A afirmação referia-se à eficácia das máscaras numa situação de uso geral para a população e foi hoje pronunciada pelo presidente do Governo Regional na conferência de imprensa realizada na companhia do secretário regional com a pasta da Saúde, Pedro Ramos, na Quinta Vigia, conforme já demos conta. Esta é uma situação que, se for necessário, adiantou, “nós iremos determinar”. Mas haverá que reavaliar a situação, no dia 13 ou 14 deste mês”, referiu.

A posição do Governo Regional vai no sentido da tendência de vários países ocidentais, Portugal incluído, após insistentes mensagens veiculando que o uso de máscara poderia chegar a ser “contraproducente”. Casos como os da República Checa, onde o uso de máscara foi logo incentivado, ou de Macau, onde foram adquiridas desde logo máscaras em grande quantidade para a generalidade da população, vão dando o mote a esta eventual mudança de comportamentos, na senda do que é já prática comum e disseminada em muitos países asiáticos (embora com excepções).

Albuquerque disse que a preocupação primeira do Governo Regional foi dotar os profissionais de saúde e os doentes com três tipos de máscaras: a primeiras, as cirúrgicas, as mais simples; depois, a chamada FTP-2, para os portadores do vírus, uma máscara mais sofisticada, e a chamada FTP-3, utilizada no bloco operatório.

“Foram adquiridas cerca de 40 mil máscaras com este objectivo”, disse, e que fazem parte das 4 toneladas de material para o combate ao coronavírus que a RAM adquiriu, num investimento de cerca de 8 milhões de euros.

Actualmente, e numa primeira fase, o GR pretende adquirir 250 mil máscaras de uso corrente, para a população, declarou, muito menos sofisticadas e para uso geral, mas que correspondem aos padrões considerados necessários pelas entidades de saúde, em consonância com as determinações internacionais.

Albuquerque admite cenário “onde o uso da máscara será obrigatório”.

As indicações da Organização Mundial de Saúde, até à data, recomendam a máscara sobretudo aos doentes que não desejam transmitir a doença com a qual estão infectados aos outros, e aos profissionais de saúde. Não para a generalidade das pessoas. Mas as indicações têm sido crescentes, de vários quadrantes, inclusive médico-científicos, a aconselhar a sua utilização por todos como medida profiláctica.

O seu uso foi corrente e habitual noutras pandemias. Por exemplo, na gripe espanhola de 1918, chegavam a ver-se cartazes incentivando as pessoas a fazê-lo, ou então a sofrer penalizações e ir para a cadeia, nos EUA: “Use a mask or go to jail” (use uma máscara ou vá para a cadeia).

Nos primeiros dias do coronavírus, houve pessoas que, na Madeira, açambarcaram o lote de máscaras existente nas farmácias da RAM. O FN teve conhecimento, numa farmácia, de uma única pessoa que adquiriu 250 de uma vez.

As máscaras rapidamente esgotaram, mas continua a ser raro ver pessoas a usá-las em lugares públicos.