O perigo e a salvação andam juntos                       

  1. O tempo é de alerta e de cuidados redobrados, cada um consigo mesmo e com os outros. A humanidade, costumamos dizer, não é nada, é frágil. A par disto acrescente-se, que nada deste mundo é seguro eternamente. Pois, mais uma vez bastou uma aparente insignificância de um vírus para colocar o mundo inteiro em sentido, pondo em causa os padrões de vida que pensávamos serem seguros e para todo o sempre. Este é um redondo engano, fica mais uma vez provado.

 

  1. A loucura pelo lucro a qualquer preço e toda a ganância que tem comandado o mundo e as nossas vidas nos últimos 50/60 anos, desmoronam por aí baixo com toda a violência. O que pensar da continuação do alto patrocínio da guerra e das armas para matar populações inteiras. E também basta lembrar todos os negócios sujos que decorrem por esse mundo fora passando por cima de povos e da biodiversidade do mundo. A economia toda assente no lucro cego só para alguns, com suas as investidas contra os trabalhadores que viram a sua condição a descer a níveis de escravidão, a mais deslocalização de empresas à procura de mão de obra barata para facilitar a exploração e ainda todo o consumo desenfreado que nos tem comandado com as graves consequências para o Planeta e as alterações climáticas. Uma realidade já experimentada por todos nós, mas que ainda não é aceite por alguns que teimam em manter o descalabro à conta das suas obsessões cegas. Mesmo assim, devo creditar que depois disto, a humanidade vai pensar e procurar outros modelos de sustentação económica que equilibrem a saudável distribuição da riqueza e a relação sustentável com a natureza.

 

  1. Mais uma vez fica provado que precisamos de sociedades solidárias, unidades entre si. O egoísmo e o pensar só em si não livra ninguém dos perigos, porque este está à espreita em todo o lado. Toda a existência e a diversidade da natureza estão destinados a todos e ninguém pode ficar para trás. Para esses equilíbrios são necessárias a humildade e a sobriedade, «de que adianta uma pessoa ganhar o mundo inteiro» (Mc 8, 36). O planeta grita angustiado com a exploração, a irresponsabilidade consumista que não olha a regras nem muito menos à ética elementar do bom senso e da racionalidade. Veio então o vírus dizer-nos que só é possível viver no equilíbrio, na fraternidade e que o mundo pode ser um lugar de todos sem a humilhação da pobreza, do desprezo de uns pelos outros e que a vontade de dominar de alguns sobre os demais não faz sentido absolutamente nenhum.

 

  1. O coronavírus vem demonstrar que a união pode fazer a força e que cada pessoa deve ser responsável por si e por todos os que a rodeiam. E todos nós devemos fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para combater este perigo e melhor ainda não o propagar irresponsavelmente. Alguns ainda não se convenceram dos perigos que nos assistem com o coronavírus e falam da boca para fora barbaridades irresponsáveis. É óbvio que temos que manter a chama da esperança dê por onde der, manter o sentido da ética e da dignidade humanidade, mas temos que ser também lúcidos e seguir todas as recomendações que as nossas autoridades nos vão indicando. Pode ser que seja um pouco difícil termos que viver assim limitados algum tempo, mas neste caso é melhor pecar por excesso, do que vir a ter que remediar a desgraça descontrolada.

 

  1. O covid-19 mais uma vez prova-nos que é democrático e universal o mal do nosso mundo, porém, deve ser democrática e universal a responsabilidade de cada um de nós. O que se pede para já são comportamentos desprovidos de egoísmo e sentido da responsabilidade consigo mesmo e com todos os que estejam à nossa volta. Esta é uma «guerra» contra um inimigo comum que não escolhe nem classes nem categorias. Todos estamos no mesmo barco e a viagem da vida segue em segurança dependendo de todos e de cada um individualmente.