Entrevista ao reconduzido coordenador regional do BE: Autárquicas? “Há abertura para convergências à esquerda do PSD”

Foto Rui Marote

O Bloco de Esquerda (BE) realizou a sua Convenção Regional no passado fim de semana e Paulino Ascenção foi reconduzido na coordenação regional do partido. Houve duas moções concorrentes mas nem por isso o partido ficou partido. Sobre as Autárquicas de 2021, Paulino Ascenção reconhece que são tradicionalmente difíceis para o BE e admite coligações pé-eleitorais “à esquerda do PSD”.

FUNCHAL NOTÍCIAS: O facto de terem existido duas listas foi bom para o partido?

PAULINO ASCENÇÃO: A circunstância de haver disputa tem o condão de despertar o debate interno e estimular a militância a participar na vida do partido. O debate decorreu com elevação, discutimos opções políticas, não se criou qualquer fratura e há todas as condições para haver um bom trabalho entre os elementos eleitos das duas listas para a nova comissão coordenadora.

FN: Qual o objectivo para as Autárquicas de 2021? 

PA: O objetivo é melhorar a votação registada nas autárquicas de 2017. Estas são eleições polarizadas por natureza, muito fulanizadas na figura dos candidatos a presidente da câmara, são eleições difíceis tradicionalmente para o Bloco.

FN: O BE admite coligações pré-eleitorais? 

P.A: Há abertura para convergências à esquerda do PSD, tendo em perspetiva a mudança política de fundo tão necessária na Madeira e que faz sentido ter expressão nas autárquicas. As regras específicas destas eleições -a eleição automática do cabeça da lista mais votada para presidente da câmara (e também da junta) e que nenhuma convergência pós eleitoral pode alterar, é um factor importante.

FN: Guida Vieira manifestou o  seu desalento na Convenção. Que estratégias tem para reconquistar os militantes históricos da ex-UDP? 

PA: O desalento atingiu todos os militantes após os resultados das eleições regionais, ainda mais porque as expetativas eram positivas. A Guida Vieira é uma referência histórica incontornável na vida do BE e uma militante incansável e ativa que vive intensamente tudo o que acontece no partido, já comunicou a sua disponibilidade para continuar a participar nas atividades, conforme lhe for possível. Os militantes históricos da ex-UDP são repositório de uma experiência e um saber fundamentais, continuam ativos como autarcas eleitos (Guida Vieira, Assunção Bacanhim), a Josefina Melim foi a mandatária da lista que encabecei a esta convenção. A estratégia passa por honrar e dar continuidade à sua luta.

FN: Como é que o partido tem vivido sem as subvenções da Assembleia? 

PA: A organização regional do Bloco vive com a solidariedade nacional do partido, manifestada também pela presença da Mariana Mortágua na VIII Convenção Regional.