Conservatório estreia ‘Lago’ em projeto do Teatro Nacional D. Maria II a 13 de março

O Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira, Eng.º Luiz Peter Clode, vai apresentar um espetáculo no âmbito do projeto PANOS, desenvolvido pelo Teatro Nacional D. Maria II, para jovens entre os 12 e os 18 anos.

O espetáculo será apresentado nos dias 13 e 14 de março, pelas 21h00, no Mudas. Museu de Arte Contemporânea da Madeira, com encenação e direção de atores da responsabilidade da professora Diana Pita.

O projeto PANOS visa estimular o encontro entre as novas dramaturgias e o teatro escolar/juvenil através de uma encomenda, anual, de peças originais a escritores com obra reconhecida, a serem representadas por grupos de atores adolescentes.

Em cada edição, a organização deste evento disponibiliza três peças acabadas de escrever, livres de direitos até ao fim do ano letivo e pensadas para serem representadas por jovens, em estreia absoluta, e um workshop de preparação, em novembro, para os responsáveis dos grupos com a presença dos autores. Após isso, dão ainda a possibilidade aos grupos escolhidos por um comité de seleção, de apresentarem os seus espetáculos no festival de encerramento no D. Maria II – Festival PANOS.

Nesta edição, o PANOS conta com textos originais de Dulce Maria Cardoso, Gonçalo Waddington e Pascal Rambert. Após escolhidos os textos pelos grupos integrantes no Festival, estes apresentam ao júri o seu trabalho final. Os grupos selecionados deste ano vão ter a oportunidade de interpretar a sua versão da peça numa das casas de teatro mais emblemáticas do país: o D. Maria II (Sala Garrett e Sala Estúdio).

Após análise dos três textos colocados à disposição pela organização, os 14 alunos do 3º ano do Curso Profissional de Artes do Espetáculo – Interpretação escolheram ‘Lago’, de Pascal Rambert.

A peça escolhida pelos alunos Conservatório foi, nas palavras de Diana Pita “a que os desafiou, não só na interpretação mas também na análise e reflexão de temas como a competitividade, direitos da mulher e a juventude europeia. Aos poucos, foram descobrindo o que Pascal escondia no seu texto, um texto sem pontuação, onde as ideias voam, onde existiu espaço para a interpretação. Um trabalho que revelou ser um grande desafio e que, esperam, superar da melhor forma”.

A estreia de ‘Lago’, agendada para as 21h00 do dia 13 de março, contará com a presença de Gonçalo Frota, ex-jornalista do Blitz e do Sol, e atualmente colaborador do Público, enquanto elemento do comité de seleção do projeto Panos, que virá analisar a possibilidade deste grupo do Conservatório ser um dos poucos selecionados a integrar o festival de encerramento do projeto, atuando no Teatro Nacional D. Maria II.

Sinopse de ‘Lago’

Silêncio é a ausência total ou relativa de sons audíveis. Por analogia, o termo também se refere a qualquer ausência de comunicação, ainda que por meios diferentes da fala. E no silêncio se encontra o Thibault, a Estação Baixa-Chiado, as nossas vidas, tudo. Não depende tudo de como interpretamos o silêncio à nossa volta? Não está tudo o que fazemos refletido no silêncio? No silêncio que os jovens, na sua inconsciência, provocaram? O teu silêncio não te vai proteger, nós somos a prova disso, estamos a descoberto.

Dez monólogos puros, manchados de sangue. Dez jovens que se viram no reflexo do Lago e nele se submergiram, num silêncio incómodo. “Havia nos olhos do Thibault esse silêncio, que nenhum de nós possuía e que ele nos transmitiu”. Ficamos agora vidrados nesta realidade. Onze menos um é a conta final. Os dez que se deduziram do Thibault.

É agora, ao nos apresentarmos no palco, que se revela a verdade absoluta de cada um. Afonso, Hugo, Luana, João, Rúben, Hélder, Ricardo, Carol, Beatriz, Magali. Os rapazes do grupo, as raparigas do grupo. Somos todos partes uns dos outros, mas as costuras rebentam. Não há espaço para discórdias pessoais agora que o Thibault… Ainda assim, todos temos algo para dizer e as coisas estão feitas para que sejamos nós a falar agora. E o resto é silêncio.