Carnaval Trapalhão foi crítico este ano e não poupou estado da Saúde na Região nem a aquacultura

Fotos: Rui Marote

O cortejo Trapalhão, que muitos consideram a mais genuína e actual manifestação do Carnaval madeirense, herdeiro dos “assaltos” de outros tempos, desceu hoje ao centro da cidade do Funchal movimentando milhares de pessoas, entre participantes e assistência. Há anos em que a crítica social fica mais ou menos de descanso, mas não foi esse o caso este ano. Desde o estado da Saúde na Madeira, com indirectas ao presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque e ao secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, ao “Brexit”, à polémica da aquacultura na qual insiste o secretário com o sector do Mar e das Pescas, Teófilo Cunha, e à chegada à Madeira da plataforma electrónica de transporte partilhado que tanto indispõe os taxistas – a Uber – muitas foram as temáticas abordadas de forma original, apelativa e irónica. Só faltou mesmo a grande histeria do momento, o coronavírus. Embora ainda se vissem umas personagens com máscaras, não se pareciam relacionar directamente com este assunto.

Mas a forma como os participantes no cortejo abordaram estas temáticas de interesse social foi, sem dúvida, criativa. Houve mesmo quem levasse as tão vilipendiadas “jaulas” de aquacultura a desfilar na Avenida, com os peixes a cirandar… Por outro lado, a Saúde e a polémica que tem cercado a mesma, com os desentendimentos entre médicos e governo por causa da imposição de Mário Pereira como director clínico, não foi definitivamente poupada. “Não queremos o Super Mário”, ironizava um cartaz apresentado por um folião que encarnava um médico insatisfeito.

Já a Uber surgiu na forma de um inusitado modo de transporte velocipédico e outros foliões ironizavam com a atitude dos britânicos em relação à saída da União Europeia, caricaturando Boris Johnson e o seu “Independence Day”.

Nem todos os participantes no desfile, como é óbvio, optaram pela crítica social directa, uns preferindo apresentar-se no desfile de forma mais inócua e divertir-se mais inofensivamente. Houve quem aproveitasse para criticar os maus tratos a idosos, um tema consensual. Por outro lado, os verdadeiros críticos foram cáusticos: a cara do secretário da Saúde, Pedro Ramos, estava plasmada nem mais nem menos do que numa sanita… A tudo assistiu, com bom humor e espírito “desportivo”, ou antes, carnavalesco – o moto “é Carnaval, ninguém leva a mal” aplica-se – o chefe do Executivo madeirense, acompanhado por familiares e por diversas outras entidades.