BE diz que 10 anos após a tragédia do 20 de fevereiro não aprendemos muito

Passados dez anos da aluvião de 20 de fevereiro, o Bloco de Esquerda considera “incrível e vergonhoso” que se encontrem famílias ainda a aguardar a ajuda devida pelos danos sofridos ou que ainda se mantenham as guardas provisórias nas margens da ribeira de João Gomes até ao centro da cidade. Esta é a via principal de acesso para quem vem do aeroporto – a porta de entrada no Funchal para quem nos visita e encontra-se há dez anos assim.

Enquanto isso foram esbanjados muitos milhões em obras sem utilidade: na construção do cais 8, na cobertura de betão sobre as muralhas centenárias nas ribeira de São João e Santa Luzia. Foram desviadas verbas da Lei de Meios para reparações na marina do Lugar de Baixo, que depois foi abandonada, fez-se um túnel falso no acesso à via rápida junto da ribeira João Gomes, que melhor seria investir num coberto vegetal resiliente aos fogos e capaz de suster o deslizamento de pedras sobre a estrada.

Construíram-se barreiras artificiais em betão para conter os detritos transportados pelas águas (vulgo pentes), enquanto o Governo Regional continua a fechar os olhos à extração de inertes dos leitos das ribeiras que servem de proteção natural. Retira-se pedra que é uma barreira natural e devolve-se uma parte às ribeiras transformada em betão – quem ganha com essa troca não é a segurança das pessoas.

O Governo sublinha a melhor capacidade de resposta da proteção civil regional, mas mantêm-se vários factores de risco que já deveriam ter sido atacados: continua a haver pedreiras a laborar nos leitos das ribeiras, o coberto vegetal nas encostas sobranceiras ao Funchal continua entregue à sua sorte, sem uma intervenção sistemática de controlo das plantas exóticas (acácias, eucaliptos, etc) e repovoamento com plantas endógenas mais resistentes aos fogos e mais eficazes a prevenir os deslizamentos de terras.

Foram deslocadas bombas de combustíveis sobre os leitos das ribeiras, mas uma nova foi autorizada nos Viveiros em local de risco e mantém-se um grande tanque de gás junto ao Anadia. O Governo Regional ao longo destes dez anos tem mostrado pouca consideração pela segurança das pessoas, teve outras prioridades.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.