Arrivederci Air Italy

A Qatar Airways decidiu cortar as asas à sua subsidiária italiana Air Italy, que encerra operações no próximo dia 25. A Air Italy resulta da fusão de duas “airlines” secundárias do país da “bota”, a Meridiana (voos domésticos regulares de serviço público) e a Air Italy original (especializada em “charters”).

Airbus A330 da Air Italy (crédito: Airbus)

Foi estabelecida em 2018 com a Qatar Airways a assumir uma posição de 49% tal como manda a lei, mas efectivamente com ambas mãos no manche e “throttle”. Os outros 51% eram controlados pelo líder ismaeli Aga Khan, que decidiu não injectar mais capital, o que impede a Qatar de o fazer e salvar a companhia porque excederia o tecto de 49% que limita a participação accionista não europeia. A Qatar Airways tem seguido uma política cautelosa e acertada de investimento em “airlines” estrangeiras, como o grupo anglo-espanhol IAG, ao contrário da sua competidora do Médio Oriente, a Etihad do Abu Dhabi, que transformou novamente em areia avultados fundos do petróleo. Elenca-se a Jet Airways indiana, a famigerada Air Berlin, e a suíça Etihad Regional  – episódio que merece um artigo dedicado.

Esta Air Italy foi lançada para tomar o lugar da tradicional Alitalia, recursivamente falida e salva pelo estado italiano. A Etihad enterrou uma fortuna na companhia de bandeira italiana, 650 milhões de USD, após já terem fugido a Air France e a KLM a lamber as feridas. A Lufthansa Italia foi um ensaio de expansão da companhia alemã que resultou num recuo bastante rápido, o que dá uma boa métrica da potencialidade do mercado italiano. O líder nacional é a Ryanair, que opera também uma série de rotas internas. Durante uns tempos teve um avião com uma pintura na fuselagem que dizia “Arrivederci Alitalia”, congratulando-se por ter obrigado a italiana ao cancelamento de rotas face à desvantagem competitiva perante a irlandesa.

O impiedoso CEO Al Baker modernizou a frota das precursoras, transferindo da Qatar Airways uma série de Airbus A330 devido aos atrasos com as entregas e operacionalização de Boeing 787. Mas nunca aumentou significativamente, totalizando a fota doze aeronaves aquando da decisão de encerramento. Desculpa-se do fracasso da Air Italy devido ao “grounding” do Boeing 737MAX, estando os três da frota forçosamente parados e 17 por entregar, provavelmente a cancelar ou a incorporar na Qatar. No primeiro ano teve perdas de 180 milhões de USD, sendo apenas a 13ª  “airline” a operar no mercado italiano, em número de passageiros transportados.

Mais uma vez o dinossauro aéreo da Alitalia sobrevive, e morrem duas pequenas “airlines” italianas.