Célia Pessegueiro diz que quem tem duas caras é o Governo na instalação das “jaulas” na Ponta do Sol, antes e depois das eleições

A presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol reagiu já às declarações do secretário regional de Mar e Pescas, Teófilo Cunha, que ontem revelou a ata de uma reunião camarária, então enquanto vereadora da oposição, onde Célia Pessegueiro não votou contra a instalação de “jaulas” de aquacultura na zona dos Anjos.

A líder da autarquia esclarece que “o Secretário do Mar encontra uma ata em que digo que não concordo com a aquacultura por não ser compatível com a exploração turística da costa e com outras atividades náuticas. Encontrou e divulgou. Obrigada Sr. Secretário pela oportunidade de mostrar a minha coerência em relação à questão da aquacultura, pois sublinha que nunca fui favorável. É claro para todos que quem tem duas caras é o Governo: uma antes das eleições, em que dizia que não haveria piscicultura «contra a vontade das populações», e outra depois das eleições ao afirmar que a «piscicultura vai avançar na Ponta do Sol».

C+elia Pessegueiro diz continuar “coerentemente a afirmar que seria um erro histórico avançar com uma instalação que prejudicaria a estratégia de desenvolvimento do Concelho.

E enumera as razões porque consideramos que a aquacultura não pode avançar na Ponta do Sol:

Turismo é uma mais valia

A Ponta do Sol é indissociável do mar, tem bons acessos ao mar, muitas praias, que vão do Lugar de Baixo, passando pela Vila, Anjos até a Madalena do Mar em toda a sua costa. Estas características permitiram que se instalassem unidades hoteleiras na Vila da Ponta do Sol e muito Alojamento Local nas diversas freguesias do Concelho. Mas há questões que queremos ver resolvidas, responsabilidade do Governo, como é o caso da Marina do Lugar de Baixo, extração abusiva de inertes nas Ribeiras, extração de inertes no mar da Madalena do Mar e Lugar de Baixo para melhorar a nossa atratividade turística. Implementar aquacultura nos nossos mares retira beleza natural e atratividade à nossa competitividade turística.

Alojamento local cresce 79% em 2 anos

Quando assumi funções em outubro de 2017 a Ponta do Sol tinha 85 Alojamentos Locais (AL), e passados volvidos 2 anos e 3 meses, temos 152 AL, ou seja, tivemos um crescimento de 79%. Hoje temos 469 camas nesta modalidade turística. Quem tem feito esta aposta são os Ponta-solenses diretamente, sem apoios ou incentivos. São 130 o número de proprietários destes estabelecimentos que auferem rendimentos desta atividade diretamente, aos quais se juntam muitos postos de trabalho criados. A estes estabelecimentos (AL) juntam-se as unidades hoteleiras que contribuem em muito para a criação de postos de trabalho. É por isso que dizemos que o futuro da Ponta do Sol não pode ser comprometido por decisões do Governo Regional que comprometam o setor do turismo, e seremos incansáveis na defesa da Ponta do Sol, para não colocarem aquacultura nos mares da Ponta do Sol.

Paisagem e preço dos terrenos e casas

A paisagem costeira é o símbolo da Ponta do Sol, é a nossa imagem e a razão pela qual muitos turistas nos visitam, mas também tem garantido a aquisição de casas por parte de turistas que passaram a viver na Ponta do Sol. Os terrenos da Ponta do Sol, pela sua produtividade agrícola e pela paisagem, estão cada vez mais valorizados. Ter uma paisagem de mar com Jaulas de aquacultura desvaloriza os terrenos e as casas. Os proprietários de terrenos no nosso Concelho acabam perdendo dinheiro com a aquacultura, pela desvalorização dos terrenos e das casas. Basta olharmos para a freguesia vizinha do Arco da Calheta, onde também se têm manifestado contra as Jaulas, porque sabem que mais Jaulas leva à desvalorização dos terrenos e das casas.

O nosso mar tem servido para a pesca e atividades náuticas

Temos pessoas que se dedicam à pesca no nosso Concelho, temos pescadores lúdicos, temos pessoas que se dedicam à apanha de lapas, temos atividades náutico-turísticas que frequentam os mares e a costa da Ponta do Sol. Queremos continuar a ter águas límpidas que mantenham a nossa atratividade e que não impeça estas atividades tão importantes para as famílias do concelho.