Responsabilidade social das empresas foi defendida hoje em iniciativa do GRACE a bordo do navio “Lobo Marinho”

A responsabilidade social das empresas esteve em foco na manhã de hoje, nas suas múltiplas vertentes, numa iniciativa desenvolvida a bordo do navio “Lobo Marinho” e na qual estiveram presentes várias entidades. Tratou-se da iniciativa “Empresa Sustentável, o Horizonte 2030”, promovida pelo Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial (GRACE) e pelo Grupo Sousa. A ocasião serviu também para se criar um “cluster” regional visando estimular novas parcerias e projectos conjuntos de cooperação, no âmbito dos desafios da Agenda 2030 das Nações Unidas.

Após as boas-vindas a bordo pelo comandante do navio, Paulo Baptista, e de uma breve introdução por Amaral Frazão, administrador do Grupo Sousa, a sessão de abertura esteve a cargo da secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais, Augusta Aguiar. Na ocasião, a governante sublinhou esta ocasião para ouvir os testemunhos das empresas sobre as suas boas práticas de responsabilidade social corporativa como “inspiradores”, e indicadores de “um caminho do futuro, mais inclusivo e sustentável”. Tal só será possível, salientou, se a dita responsabilidade social for cada vez mais um factor determinante da vida das empresas. Enalteceu ainda o impacto que a mesma tem na comunidade, especialmente nos grupos mais socialmente desfavorecidos.

“Uma sociedade mais coesa, atenta, acessível e inclusiva só se alcança com o reforço da cidadania”, apontou. Garantiu, por outro lado, que o exercício dessa cidadania é um desígnio fulcral do programa do Governo Regional da Madeira. Por isso, apoia as iniciativas que permitam fomentar actividades de natureza solidária, premiando as entidades que produzam, na área empresarial, projectos que apostem na economia social e circular. Promover a salvaguarda dos recursos ambientais ara as gerações vindouras, e ajudar à diminuição das desigualdades sociais são objectivos centrais e na ordem do dia, numa desejável colaboração entre as entidades governamentais e as empresas.

“Ninguém deve ser deixado para trás”, postulou, citando a Agenda da ONU, e garantindo que o Governo Regional pugna por “valores humanistas, focados na inclusão das pessoas mais vulneráveis e com maiores carências”, com uma atenção especial à população mais idosa, aos desempregados, aos mais carenciados, às crianças e jovens em risco e às pessoas com deficiência. A Região, terminou, “quer-se solidária”.

Seguiu-se uma apresentação do GRACE pela presidente da instituição, Margarida Couto, em representação da Vieira de Almeida Associados. “Num momento em que as Nações Unidas lançaram um enorme apelo às empresas, através dos objectivos de desenvolvimento sustentável, que não se dirigem apenas aos governos. “As empresas é que têm verdadeiramente os meios, não apenas económicos, mas também os recursos humanos” para poderem fazer a diferença numa série de importantes situações. Nessa medida, deu como exemplo não apenas os tradicionais donativos do mecenato, mas defendeu a ligação continuada das empresas a determinados projectos, nomeadamente através de voluntariado do pessoal das mesmas, por exemplo ensinando determinadas competências a entidades como instituições particulares de solidariedade social.

O GRACE, referiu, foi fundado há duas décadas por cinco multinacionais. Hoje, o número de empresas associadas, grandes e pequenas, vai-se aproximando das duas centenas. 175 a partir de hoje, mais precisamente, com a adesão de duas empresas regionais, a Alberto Oculista e a IlhaPeixe.

O programa GIRO 2.0, referiu, é precisamente um programa do GRACE para o voluntariado de responsáveis das empresas com entidades do dito terceiro sector, o da economia social, e que reputou de muito importante. Analisando a tradicional visão das empresas como entidades meramente lucrativas e que apenas têm por objectivo gerar dividendos para os seus accionistas, Margarida Couto não enjeitou essa visão, mas considerou-a limitativa e defendeu um maior papel social.

Seguiu-se um painel no qual Amaral Frazão esteve à conversa com três diferentes empresários: Vítor Calado, do banco Santander, Ilídio Gomes, da Delta Cafés, e Pedro Freitas, da FN Hotelaria. No diálogo foram dados exemplos multifacetados de diversas iniciativas empresariais no âmbito da economia social, desde donativos a medidas destinadas a beneficiar socialmente os trabalhadores, como horários especiais, oferta do dia de aniversário como folga ou fundos de pensões. A sustentabilidade ambiental foi outro exemplo apontado, desde a introdução de veículos eléctricos nas frotas das empresas a painéis solares nas sedes das mesmas, desde o chamado “voluntariado de competências” a que se aludiu anteriormente ao investimento na área social, principalmente educacional, com bolsas de estudo e protocolos com instituições académicas ou a inclusão de trabalhadores com algum tipo de deficiência.

Na ocasião, Vítor Calado aproveitou para anunciar que o Santander será a partir de hoje o primeiro banco do mundo a lançar cartões biodegradáveis.

O encerramento da sessão esteve a cargo do edil do Funchal, Miguel Gouveia, que garantiu, pelo seu lado, que a autarquia a que preside se tem esforçado pela “dissipação das desigualdades e apostado numa política de redistribuição da riqueza”. Reconheceu, por outro lado, que aos municípios cabem cada vez mais responsabilidades ambientais, económicas e sociais e considerou interessante o crescimento do GRACE também aqui na Madeira.

Foi há dois anos que tomou pela primeira vez conhecimento da existência desta instituição, numa iniciativa de reflorestação do Parque Ecológico do Funchal, que “correu muito bem”. Lembrou, a propósito, que a Associação do Caminho Real da Madeira, a qual também dirige, foi também abordada pela GRACE no ano passado, tendo estado envolvida na iniciativa de recuperação de uma ponte de madeira na Ribeira das Furnas, que tinha sido derrubada em 2013 por uma aluvião que ocorrera na costa norte da ilha, na Ribeira da Janela. Através de uma efectiva parceria, a dita ponte foi reconstruída numa manhã.

Mencionando também os objectivos de desenvolvimento sustentável da ONU, disse acarinhar particularmente o 17º, que consubstancia precisamente “entregar um pouco do conhecimento que se tem em prol do bem comum”.