Escritora Rosabela Afonso apresenta livro na Jaime Moniz sobre Sophia de Mello Breyner

Sophia é um nome incontornável da Literatura Portuguesa. Por isso mesmo, esteve hoje em foco na Escola Secundária Jaime Moniz através da iniciativa “A Escritora vai à Escola”, da autoria do grupo disciplinar de Português. Rosabela Afonso foi a escritora convidada a partilhar com os jovens estudantes as suas impressões sobre os universos de Sophia, tendo por base o seu livro Os tempos de Sophia – Biografia de Sophia de Mello Breyner Andresen, da Editorial Novembro.

A presidente do conselho executivo agradeceu a presença no “Liceu” de Rosabela Afonso, destacando a importância da escritora Sophia também no seu imaginário de estudante e docente. Quem não se lembra de histórias que marcaram a juventude como A Menina do Mar, lembrou Ana Isabel Freitas.

A docente Fátima Marques apresentou o livro, confessando também o seu encanto por este nome sonante da Literatura Portuguesa, recomendando aos jovens a leitura, não só pelo tema cativante mas também pela forma como a autora disserta sobre Sophia,  de forma clara e interessante. Também enalteceu a vertente interventiva da escritora e as vivências que as histórias de Sophia deixam nos seus leitores. A docente fez também um apelo aos jovens no sentido de lerem e, acima de tudo, “procurarem ver o mundo, sempre com os olhos bem abertos. Uma coisa é conhecer o quadro “Mona Lisa”, outra coisa é ver esse mesmo quadro e apreciar toda a sua riqueza artística. Também Sophia nos convida sempre a olhar criticamente para o mundo e é esta sugestão que vos deixo”.

Fátima Marques fez ainda uma saudação especial à professora da ESJM, hoje aposentada, Sara Cabral Fernandes, na plateia a assistir à palestra, pelo seu amor aos livros e pelo seu papel no incentivo à leitura de várias gerações de estudantes.

Secretária, gestora de programas da RTP e depois escritora. Foi este o percurso polifacetado de Rosabela Afonso, mostrando, por isso, aos estudantes que o mundo não acaba na escola mas com os vários saberes que se vão conquistando ao longo da vida. O gosto pela homenagem a mulheres na sua escrita, como Sophia, Maria de Lurdes Pintassilgo, entre outras, é uma forma de “prestar homenagem a cidadãs ativas e participativas numa sociedade que não lhes permitia o direito de protagonismo público, devido às restrições de ordem política”. Como “rasgaram o tempo”, merecem o reconhecimento na história e nos livros, sendo naturalmente figuras modelares.

Ao longo da sua conferência no “Liceu”, Rosabela Afonso recordou o percurso biográfico de uma escritora, descendente de famílias endinheiradas, mas que preferiu abraçar o projeto social de defender os pobres contra as injustiças do Salazarismo, custando-lhe muitos dissabores. Depois, enalteceu “as palavras residentes” da autora, nomeadamente o fascínio pelo mar, “Quando eu morrer, voltarei para buscar os instantes que eu vivi no mar”.