Professor Lobo-Fernandes defende no “Liceu” que Brexit é um prejuízo para Portugal e uma anomalia histórica

A AICA-Associação de Investigação Científica do Atlântico, em articulação com o conselho executivo da Escola Secundária Jaime Moniz, promoveu hoje uma conferência subordinada ao tema “Brexit: Impactes Políticos e Económicos”, tendo por orador Luís Lobo-Fernandes, professor catedrático aposentado da Universidade do Minho, doutorado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade de Cicinnati, Estados Unidos.

Ana Isabel Freitas, presidente do conselho executivo da ESJM, agradeceu aquela que é a terceira presença do professor Lobo-Fernandes no “Liceu” para partilhar com os estudantes os seus conhecimentos sobre o Brexit e as grandes inquietações da comunidade em geral sobre a mais do que provável saída da Grã-Bretanha da UE, com a principal dúvida em cima da mesa: com acordo ou sem acordo europeu?

O presidente da AICA, João Lemos Batista, destacou o grande currículo do orador para abordar um tema tão importante como as implicações do abandono do Reino Unido da EU.

Ressalvando que é difícil emitir juízos de valor categóricos sobre um processo recheado de contradições e indefinições, Lobo-Fernandes afirmou, sem margens para dúvidas, o seu absoluto descontentamento face à saída inglesa. As razões do seu juízo crítico são múltiplas, mas sublinhou particularmente o facto de os nossos aliados abandonarem “um projeto de paz, uma ideia virtuosa de paz”.

Os 140 mil portugueses residentes no Reino Unido têm, pois, razões para estarem apreensivos, assim como a Madeira, já que “o mercado inglês representa o segundo grande contingente de turistas para a ilha”. A saída acarreta, portanto, “um prejuízo para Portugal por estarmos associados à Grã-Bretanha há mais de 600 anos”.

Mas, a nível interno, as repercussões do Brexit são nefastas. “O Brexit é um desastre potencial para o Reino Unido na sua vertente interna. É o desmantelar de um Estado plurinacional, com uma cultura histórica marcada pelo pragmatismo e pelo compromisso. Corre-se mesmo o risco de ver o Reino Unido ficar reduzido à Inglaterra e ao País de Gales, já que a Escócia e a Irlanda votaram pela permanência na EU”.

Por várias razões enumeradas por Lobo-Fernandes, “o Brexit constitui uma anomalia histórica, um desnorte sem precedentes por parte das elites inglesas e um ato de irracionalidade”.